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FILOSOFIA POP – Manifesto em 16 teses

21 de março de 2012

1 – Filosofia POP é a qualificação do pensamento enquanto ele se aventura nos conteúdos rejeitados de seu tempo.

2 – Filosofia POP é um nome provocativo diante da análise fundamentalista das obras de filósofos a que muitos tentam reduzir a filosofia confundida com o trabalho da investigação acadêmica que toca a burocracia enquanto sustenta a repetição.

3 – Filosofia POP é trabalho vivo com textos novos e antigos, com as falas, os filmes, a arte, os rótulos, a pichação e também o rastro desenhado por insetos, a merda dos cães nas ruas, o sangue dos agredidos, a lágrima das crianças abandonadas.

4 – Tendo como princípio que conteúdos rejeitados projetam luz sobre a experiência de uma época, a tarefa da Filosofia POP implica o trânsito entre afetos e representações tratadas como lixo, resto, dejeto: S’Obra.

5 – Filosofia POP é a pesquisa com as obras, mas o que ela deseja mesmo é entender a vida que jaz na S’Obra.

6 – Filosofia POP é pensamento que se faz atravessando a nado o rio de dejetos simbólicos e concretos que atravessa nossas cidades, nossas visões de mundo, nosso jeito de agir.

6 – Filosofia POP não é só a pesquisa, é também o pensamento na sua pele provocativa fugindo até a morte de quem quer taxidermizá-la. Kant nu na banheira com Lady Gaga, Nietzsche e o Papa, Wittgenstein e Raul Seixas.

7 – Filosofia Pop é uma forma de antifilosofia.

8 – Filosofia POP é PiXação na sua forma evidente de pensamento reflexivo e o pensamento reflexivo na sua forma evidente de PiXação.

9 – Sócrates foi um filósofo pop. Nietzsche foi um filósofo pop. Todos os filósofos de que ouvimos falar são generosos fantasmas pops e podem nos ensinar alguma coisa enquanto nos ajudam a sair do senso comum rumo a um pensamento crítico que possa se tornar emancipatório.

10 – Filosofia POP é Filosofia Suja ou o pensamento contra a assepsia científica que faz dos conceitos pinças e tubos de ensaio e da vida um cadáver abandonado ao formol do sistema.

11 – Filosofia POP é o amor às potências da crítica que não inclui o poder, não deseja a autoconservação e sonha com a liberdade das ideias. Roubo geral como partilha contra o copyright conceitual vigente.

12 – Filosofia POP  é o amor canibal à todas as formas de saber e o corpo vivo do pensamento dado em alimento à fome ignorante do mundo.

13 – Filosofia POP como cultivo da árvore do conhecimento do além do bem e do mal. A fruta perigosa que atingindo a imaginação faz sonhar com um outro mundo possível.

14 – Filosofia POP como qualificação do pensamento pela aventura contra a repetição do mais do mesmo.

15 – Filosofia POP ou Filosofia Negativa da Indústria Cultural a partir de seus frutos apodrecidos. Abrimos os brinquedinhos que recebemos do sistema com a mesma curiosidade que tínhamos quando éramos crianças e felizes.

16 – Filosofia POP ou Filosofia PUNK . Pela reinvenção do mundo enquanto rimos de suas regras e metodologias, pois o que queremos é fazer do nosso jeito.

10 Comentários leave one →
  1. velocidadesinfinitas permalink
    21 de março de 2012 7:55 pm

    Filosofia POP ou Filosofia PUNK ou… Filosofia FUNK !!!

  2. gugavalente permalink
    21 de março de 2012 9:20 pm

    CCAAAAAARRAAAAAAALLLHHHOOOOOOOOOOOO! Que massa! O 10 foi escrito pra mim, precisava mesmo ler isso tudo!

  3. 21 de março de 2012 10:06 pm

    Isto é rock, é pop, é revolução! Demais! Li num trago. É reconfortante que alguém sério, uma professora universitária, que tem autoridade para dizer EU ACHO, manifeste-se assim. Bravíssimo!

  4. Vera Luduvice permalink
    21 de março de 2012 10:48 pm

    O resto, o lixo, a s’obra. Penso na categoria das Obras que se escondem por trás das fachadas. Bom. Aulas que fazem pensar.

  5. 22 de março de 2012 1:15 am

    assim entendo as 16 teses: o pop que insurge daí é anti-populista. uma insurgência popularista. insurgência por ser um levante contra a monocultura de letrados. popularista por nascer do conhecimento da sabedoria de um povo. sabedoria sem autores e autoras sem ser senso-comum. como o pensamento de toda cultura oral cujos heróis e heroínas são deglutidos voluntariamente pelo coletivo. no mínimo, que já é o máximo, somos filhos e filhas da oralidade das mais diversas etnias indígenas desta terra que brutalmente chamam de brasil; de etnias africanas tragas à força para cá e imigrantes anti-colonialistas. pois de resto, há somente conhecimento oficial-colonial. o punk que insurge daí é “faça vc mesma”. uma insurgência da pichação. esta grandiosa arte que, do mesmo modo que duchamp, despreza a galeria de arte. que também não dá a mínima a um futuro retumbante, pois o que se deseja para o futuro se realiza agora. que usa botoque ao invés de piercing – pois tem um importância fundamental para a oratória e para os cânticos. que usa jaqueta de couro vindas do cangaço e não de motoqueiros – pois é preciso se proteger dos espinhos policialescos da cidade. e cabelos estilizados como fazem a população hereros angola – pois é preciso se reconhecer como novos e novas quilombolas em micros quilombos que surgem a cada instante para se escapar dos jagunços e latifundiários da filosofia. salve marcia! teses inspiradoras!

  6. 22 de março de 2012 11:39 pm

    Eu bem que falei há uns anos atrás que um dia Marcia Tiburi seria deleuzeana.

  7. Fernanda permalink
    27 de março de 2012 10:48 pm

    Filosofia POP… eu fui!

  8. 31 de março de 2012 6:55 pm

    Desde pequeno nós comemos lixo comercial e industrial, mas agora chegou nos vez: vamos cuspir de volta o lixo em cima de vcs.

    Simplesmente fantástico!
    Vi esses dias o documentário sobre o Raulzito e ele disse que depois de tr feito filosofia, mas ao descobrir que no Brasil não se lia, resolveu em definitivo fazer música. A gente precisa investigar de quais/quantas formas se faz filosofia. Interromper esse processo unilateral de reconhecimento da mãe Europa,…, aqui tem coisa boa, densa, humorada e não é só matéria prima!

    Adorei o manifesto! Ou não-manifesto… Sei lá. Pq o que se quer na verdade é poder respirar, isso é básico para viver. De repente, é tomar a Casa,…, não a casa que já inevitável/indistintamente ocuparam com seus fluidos,…., mas poder renomear, resignificar, olhando pro mundo e não somente pro ego.

    É bom te ter não apenas percebendo isso – muitos o fazem -, e ainda querer provocar o colapso! Hehe

  9. 19 de abril de 2012 3:25 pm

    Marcia Tiburi,vi tuas palestras sobre felicidade no youtube e fiquei afim de ver mais (gostaria mt de comparecer ,mas n sei se tu tem vindo pra Porto Alegre dar palestras) e pensei em recomendar um filme q gira em torno do tema,é meio desconhecido mas é um otimo filme ,se chama treze visões

  10. 21 de abril de 2012 3:11 pm

    Independente de que? Relativismo dos relativismos!

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