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Era Meu Esse Rosto – meu novo romance

22 de maio de 2012

Publico aqui a capa e a orelha escrita por Donizete Galvão para o meu mais novo romance que é ao mesmo tempo o mais velho. Ele está chegando nas livrarias. Aos poucos vou contando o que ele é, como nasceu, o que diz para mim. Mas aqui vai, primeiro, a linda orelha como um sinal do livro. Vou publicar mais adiante também o prefácio da Regina Zilberman que me deu muita alegria. 

Era meu Esse Rosto – Editora Record

O que quer o narrador de Era meu esse rosto, com sua máquina fotográfica, a registrar a peregrinação pela turística V, na Itália? Não conhecemos seu nome, mas sabemos que traz a história da família no sangue e precisa descobrir o fio no novelo que originou o romance familiar. Para contar a viagem desse Ulisses, Márcia Tiburi captura o leitor com uma prosa de intensidade poética e de uma pulsação emocional que se intensifica até o desfecho.

   Tudo começa na fria V, gaúcha, onde sopra o minuano, em que o narrador menino vive num mundo edênico com seu nonno, a avó, a tia, as irmãs. É um ninho aconchegante, isolado no tempo, rural, com galinhas, gatos, cachorros e bezerros. Com sete anos, este narrador tudo observa e registra. Já tem a vocação da fotografia, pois rouba e esconde a máquina fotográfica comprada pelo tio.

   Na narrativa da infância, recupera-se uma mitologia familiar de grande delicadeza onde o avô filósofo é figura central. Haverá, entretanto, a expulsão do paraíso. Do mundo angelical surge o mundo da condenação. A vida é uma fita esticada “pronta a ser cortada pela tesoura de um Deus que não se oculta e que me suga o sangue desde cedo”. Daí, segue um inventário de perdas: a morte do tio, da avó e do avô. A vida fraturada pelas primeiras experiências da morte. Ao narrador cabe atar essas várias histórias que se entrecruzam. A sombra da morte está sempre ao seu lado.

  Cabe ressaltar que este não é só um memorial familiar. Márcia Tiburi faz um trabalho de invenção com a língua, com o estilo, para reconstruir nos labirintos da linguagem um mosaico familiar. Ressalte-se também a aguda busca de uma imagética para retratar as ruminações filosóficas do narrador.

   Márcia Tiburi constrói uma romance enigmático, tocante, cheio de afeto e reflexão. A trajetória do narrador em busca de suas origens é também a trajetória de todos nós na busca dessa “estranha idéia de família”.

14 Comentários leave one →
  1. 22 de maio de 2012 9:29 am


    nem preciso dizer o quanto tô curtindo…

    =*

  2. Sheila permalink
    22 de maio de 2012 9:58 am

    Bom dia Marcia , estou louca pra ler seu novo romance. Comecei a ler O manto.beijos.

  3. 22 de maio de 2012 12:27 pm

    Acabei de comprar na Saraiva on line. Obrigada! Amo o que você escreve, mais ainda, como escreve! Vivo num transe lúcido desde a Trilogia e é ótimo!. A apresentação despretensiosa será um belo contra-ponto para o mergulho que, com certeza, é a obra! É muito bom mirar a capa! Parabéns!

    • 22 de maio de 2012 12:36 pm

      Vc é muito generosa comigo. Obrigada.

      • 22 de maio de 2012 1:02 pm

        Deixe de modéstia, você é o máximo! Desbancou Garcia Marquez, para mim! Rogo às forças que suportam esse mundão que mantenham sempre incólume seu maravilhoso cérebro! Muita luz!

    • 22 de maio de 2012 1:47 pm

      Obrigada, lindona. Coloquei no twitter e no Facebook. beijos gratos pela delicadeza da leitura. E a percepção da caixa azul foi linda. Só uma poeta como vc pra perceber. bjs

      • 22 de maio de 2012 10:21 pm

        ‘o teu olhar melhora o meu’.
        😉

  4. 24 de maio de 2012 2:58 pm

    Um romance que também aborda o tema “família” é Cem Anos de Solidão, de García Mârquez. Considero esta temática difícil pela necessidade de entrecruzar histórias. A vida da mãe que se cruza com a do filho que se cruza com a da tia que se cruza com a da avó que tem a ver com a da bisneta e assim por diante. Ainda não conheço sua obra, mas, desde já, espero que ela seja um sucesso de crítica.

    Em uma de suas passagens, García Mâquez descreve a angustia de uma mãe [dona Úrsula] que, com quase cem anos, ainda se vê atormentada pelos problemas familiares – bebedeiras, imoralidade sexual, falta de afeto – e, num momento de aperto, pensa se não seria melhor morrer para desabafar de uma vez:

    “Lembrando-se destas coisas enquanto aprontava o baú de José Arcadio, Úrsula se perguntava se não era preferível se deitar logo de uma vez na sepultura e lhe jogarem a terra por cima, e perguntava a Deus, sem medo, se realmente acreditava que as pessoas eram feitas de ferro para suportar tantas penas e mortificações; e perguntando e perguntando ia atiçando a sua própria perturbação e sentia desejos irreprimíveis de se soltar e não ter papas na língua como um forasteiro e de se permitir afinal um instante de rebeldia, o instante tantas vezes adiado, para cortar a resignação pela raiz e cagar de uma vez para tudo e tirara do coração os infinitos montes de palavrões que tivera que engolir durante um século inteiro de conformismo.

    – Porra! – gritou.

    Amaranta, que começava a colocar a roupa no baú, pensou que ela tinha sido picada por um escorpião.

    – Onde está? – perguntou alarmada.

    – O quê?

    – O animal! – esclareceu Amaranta.

    Úrsula pôs o dedo no coração.

    – Aqui – disse.” (p.242).

    Abraços.

  5. 25 de maio de 2012 10:46 am

    Já comprei… Só falta chegar… 🙂

  6. Fernanda permalink
    27 de maio de 2012 3:14 pm

    Estou contando os dias para receber meu dinheiro da bolsa da faculdade pra comprar esse livro e Magnólia. Pena que não dei sorte no sorteio dos seus 4 livros na oficina! Beijos!

  7. 29 de maio de 2012 11:41 am

    Márcia, lançamento em BH também, né!?

  8. Fabio Ferro permalink
    6 de agosto de 2012 7:49 pm

    Vou ler.

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