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Cinquenta tons de Cinza – de novo

30 de novembro de 2012

Ontem fiz uma brincadeirinha (realmente esta era a intenção) aqui no meu blog (cujo nome é Filosofia Cinza, sem tons, permitam-me ironizar só mais esta vez). O tal post foi intitulado “Com amor, recadinho fofo para as leitoras de 50 Tons de Cinza” (vide abaixo). Claro que, pelo tom do próprio título, se tratava de um texto pouco sério, no sentido de ser ligeiro, como se diz de música ligeira. Assim, coisinha rápida, pra brincar. Só que alguma coisa aconteceu com a exposição da minha brincadeira. Fiquei espantada com certos aspectos que relato aqui.

Pra começar, com o fato de que, quando escrevi sobre aborto e outros temas fortemente feministas, nunca houve tanta gente visitando o meu modesto blog. Quer dizer, isso reforçou em mim aquela indagação que muitos estão se fazendo: o que há neste livro que mexe tanto com as pessoas? Penso que esta seja a pergunta mais importante que possamos nos fazer diante do fato deste livro. Penso que dificilmente alguém terá coragem de enveredar por uma análise literária do livro, pois que não se trata de um livro em que a questão da literatura esteja em jogo. Mas isso não é um problema. O livro não é tão ruim quanto uns, não é tão bom quanto outros. Há, a propósito, muito livro ruim escrito em nome da literatura. Mas não vejo que este livro esteja preocupado em ser literatura, em alcançar um lugar em algum cânone literário. Há muito livro bom que também não está preocupado com isso. Mas é fato que não há em 50 Tons nenhum trabalho de linguagem, senão aquele da velha descrição cansativa (com alguns momentos mais felizes, outros mais infelizes) que não cria um estilo. Mas isso não é mesmo a intenção do livro. Nem o efeito que ele buscaria. Não há também um trabalho – um esforço – em torno da ação (excessivamente repetitiva) que poderia ser mais forte considerando seu conteúdo. Qualquer assunto, podemos concordar, pode dar um bom livro. Além disso, ninguém que seja éticamente razoável, ou seja, que acredite na validade da democracia, defenderá uma censura ao conteúdo, ao tema, ao assunto de um livro qualquer. Isso vale obviamente para este 50 Tons. Por outro lado, é claro, elevar o livro à questão literária, ou seja, querer debater se ele pode ou não ser literatura, também pode nos dizer algo. Aguardemos os argumentos. Pode bem ser que, em algum momento, alguém levante a tese de que este tipo de livro acaba com a literatura, mas aí é o mesmo que dizer que a televisão acabou com o cinema, ou coisa do tipo. Enfim, o problema aqui não é este.

Eu li o livro, os 50 tons de cinza, pois precisei entendê-lo em dois momentos, um debate de TV e a curiosidade feminista. Achei chato e bobo porque gosto de outras coisas, tenho outros interesses. Claro que meu feminismo e o meu entendimento do que sejam filosofia e literatura não me ajuda a curtir livros desse tipo. E é claro que as pessoas que tem outros interesses e gostos diferentes dos meus, podem achar o que eu leio muito chato e bobo, ou pernóstico e complicado. Podemos passar séculos debatendo o gosto, afinal ele é formado cultural e educacionalmente. Mas isso é outra história. Sobre a questão do gosto há muita coisa que pensar e ler. Sugiro, para encurtar a questão, algo mais rápido, um filme que é um verdadeiro ensaio video-teórico e, ao mesmo tempo, uma delícia que desce redondo: O GOSTO DOS OUTROS  da Agnés Jaoui.

Outra coisa importante, eu não recebia tantos comentários em um blog desde o comentário do tema da pichação no blog PINKPUNK da minha época de Saia Justa. Naquela época aconteceu o mesmo que agora. Eu defendi a pichação e fui pichada. Ok. Aqui eu critiquei abstratamente o livro e fui criticada asbtratamente. A diferença entre crítica abstrata e concreta é que a primeira é “qualquer nota” e a segunda é o que eu estou tentando fazer aqui ao escrever estas impressões.

Sobre a quantidade – e a qualidade – dos comentários ao meu post de ontem, gostaria de dizer que foi um momento altíssimo, e agradeço a todos que comentaram fazendo daquele espaço um verdadeiro forum de percepções. Foi um presente para alguém que, como eu, ama a pesquisa. De repente, sem esperar, recebo um mundo de atos de fala dos mais variados, desde os de apoio, os de indignação, os que aproveitam para violentar verbalmente a mim e a outros. Enfim, é maravilhoso ver a democracia se tecendo na malha fina da internet. E com tanto conteúdo positivo e negativo, comentários mais ou menos lúcidos, mas de qualquer maneira expressivos e falantes. Havia muita coisa mal colocada, e muita coisa bem colocada. Eu realmente gosto desse circo pegando fogo, é um momento importante na desmistificação da opinião geral. É genial ver as pessoas corajosamente se expressando, seja para acertar, seja para errar. Penso que, em momentos como estes, há algo de mais importante acontecendo em um país que ainda engatinha na democracia. Todos juntos, discordando, mesmo que sem muito orientação, sem muito respeito, estamos construindo a democracia. Por isso, não me incomodei tanto com a agressividade, pois percebi que ela apareceu como um efeito do desejo de elaboração das pessoas em relação a algo que as comove. A minha também.

Por isso comentei que prefiro a “guerra de ideias” à paz. Eu realmente acho que temos que incrementar nossa capacidade de debater. Que o mundo da opinião tem que ser aberto para que possa surgir a reflexão que é bem melhor do que a mera opinião. Eu realmente confio que nos respeitaremos como pessoas se formos capazes de discordar com reconhecimento do lugar do outro, mas se passarmos por um pouco de falta de respeito e pudermos superar isso, tudo bem também. Não estou, entendam bem, defendendo a violência verbal (ou qualquer outra), estou apenas dizendo que isso tudo nos pode ensinar algo. A mim e a todo mundo. E não penso que tenhamos que evitar dizer o que pensamos sobre as coisas. Que seja chato, ou isso ou aquilo. Para muitas pessoas eu fui chata e tudo bem, fui mesmo para elas. Algumas se expressaram dizendo coisas muito mais feias. Outras disseram coisas muito boas. Que bom também. Melhor falar e arcar com as consequências do que dizemos do que fingir que não temos nada a ver com isso. Depois podemos ver se há razão no que dizemos, se podemos ser amigos ou se devemos ser inimigos.

Percebi muitas vezes que as pessoas que defendem o livro que eu critiquei toscamente, o fazem toscamente em relação a mim. Usam aquilo que em filosofia chamamos argumento “ad hominem”. Se eu emito uma mensagem, não é a mensagem que é questionada, mas a minha pessoa. É super comum que isso aconteça, afinal a mensagem tem um autor e este sofre sob seus próprios preconceitos e pressupostos. Mas há limites que precisam ser respeitados. Se eu digo que quem leu o livro é imbecil, burro ou algo assim, e alguém diz que burra sou eu, não saimos do mesmo lugar, somos todos burros e venceu a violência. Em resumo: aqueles que comentam que o meu comentário tosco leva a críticas toscas relativas ao meu próprio comentário tosco, esquecem que poderiam aplicar o mesmo argumento para me defender. Poderiam dizer que um livro como este faz surgir um comentário tosco como o meu. Percebem o enredamento em que estamos com este tipo de argumento?

Mas até agora não comentei o que realmente me fez escrever o post em questão. Eu estou indignada com o rebaixamento do livro à mercadoria. E este tem sido um exemplo dos mais radicais. Você entra nas livrarias e encontra pilhas desse título e não encontra um monte de outras coisas. Quer dizer, o negócio é bom porque vende na era do mercado elevado a estilo de vida. Quando vi uma moça grávida comprando o livro e uma mãe de família lendo no avião, fiquei fantasiando que elas não conhecem outras coisas e que não escolheram este livro e sim, foram escolhidas pela Indústria Cultural do livro. Uma das táticas da Indústria Cultural é fazer a pessoa crer que ela escolheu aquilo que lhe foi imposto…  E as pessoas assumem imposições porque não sabem o que ler (claro que há quem o leu porque sabe o que ler).

Bom, alguém dirá, “mas livro sempre foi mercadoria”. E é verdade, mas como dizia Walter Benajmin, o livro era uma mercadoria que valia muito mais do que o seu preço. Uma mercadoria que negava a forma mercadoria em função do espaço de experiência que ofertava. Este livro, a meu ver, manifesta a experiência empobrecida do nosso tempo e ajuda a promovê-la mais ainda. E isso não é moralismo estético, meus caros, pois penso como Benjamin neste caso em que “livros e putas podem se levar para a cama”.

Que a indústria da cultura se valha do meio livro para evitar o pensamento crítico (a união de reflexão e sensibilidade), a isso já estamos acostumados. Mas eu tenho o dever (e o gozo, confesso) de lutar contra isso, contra o elogio da ignorância. E, neste caso, tenho que lutar contra esse tipo de livro, filme ou coisa parecida, que perpetue este elogio do pior só porque se vende muito do pior. O pior é democrático sempre, vide a o estado da educação e da saúde no Brasil… Não quero dizer com isso que eu desaprovo sua leitura. Não desaprovo, aliás, entendi que para muitas pessoas este livro foi legal. Eu respeito qualquer leitura, eu mesmo leio um monte de livros ruins. Só lastimo. Lastimo que seja o único livro que muita gente tenha lido. Lastimo também que ele seja, na verdade, um produto que resulta de marketing muito bem feito com coisa tão ruim. Que as pessoas sejam pegas pelo seu desejo de fazer parte do todo, da audiência (falei disso no meu Olho de Vidro),  do “todo mundo tá usando”. Gostaria de ver o dia em que o marketing dos livros se voltasse para livros que mudassem a sensibilidade das massas para melhor. Em vez de massas fascistas, massas revolucionárias. Em vez de gente dessubjetivada pelo mais do mesmo, gente livre dizendo o que pensa e fazendo o que quer (de verdade…).

Além disso, este livro é conservador. Mas, como eu disse antes, isso não é o maior problema, afinal há gosto pra tudo e, por mais que não possamos deixar de debater o gosto, não podemos muita coisa em relação ao gosto de cada um. Eu penso que livros deveriam servir para entendermos algo da vida. Detesto que sejam rebaixados a um coisa que se põe na lista dos mais vendidos e que administra o desejo do outro que está em mim. O desejo de ser audiência, no caso, de ser “leitor”, que mencionei acima. Talvez pra mim a forma livro seja sagrada demais pra cair nisso. Sagrado porque vejo nele o melhor que fizemos enquanto ser genérico que somos, o mais bonito, até aqui. E penso que literatura serviria para o nosso prazer e a nossa emancipação radicais, para a nossa exuberância criativa e não para a obediência servil ao entretenimento que nos quer sufocar. Daí que estas obras com algo de literário (me refiro também aos livros estilo roteiro pra cinema que são também muito chatinhos) me despertem tanta acidez. Arte é mais.

É verdade também que este livro humilha a imagem das mulheres. Ele também humilha a imagem dos homens e contra esse tipo de conteúdo sempre podemos nos insurgir. A crítica à estética é um direito e um dever ético de quem critica.

Neste caso, por fim, vejo que joguei uma pedra na indústria, pichei o livro… pichei todos os que não pensam assim e gostam dele. Vou continuar pichando quando achar que devo. Espero que , com isso, todos continuem falando do que acham que devem falar. Calar é pra tempos de ditadura. Por sorte este não é, legamente falando, o nosso caso. Não sou do partido do cordialismo, nem quero agradar ninguém. Não escrevo livros, nem estes posts de blog para isso. Discordar é a nossa saída quando ela é sincera. Concordar também só vale a pena se for assim.

Por fim, eu também queria dizer que há livros maravilhosos sendo escritos em português, também por mulheres. Citei 5. 3 de autoras jovens no cenário, 2 de autoras consagradas e que todos deveriam conhecer mais. Espero que quem tenha lido 50 tons como eu, siga lendo coisas melhores.

Li resenhas interessantíssimas na internet e considero que esta tem um tom bem humorado e inteligente.

http://www.skoob.com.br/estante/resenhas/3285

81 Comentários leave one →
  1. 30 de novembro de 2012 5:19 pm

    Parabens por ter lido ! Ainda que na certeza que o livro seria fraco , mera confirmação . Contudo , acho que essa horas de vida usada nesse tipo de leitura será umas das coisas irrecuperáveis de sua vida …

  2. Caroline permalink
    30 de novembro de 2012 5:38 pm

    Márcia,
    o post de hoje é uma magnífica aula de filosofia!
    AMEI!
    Obrigada. 😉
    Um abraço

    • Beth Ramos SantAnna permalink
      30 de novembro de 2012 5:47 pm

      Gostei do teu texto! Mas verdade,acho muuuiiitooo chato estes best americanos. Nao li nao vou ler ,nao tenho a menor curiosidade! Tanta coisa melhor pra ler e pensar……..

  3. 30 de novembro de 2012 5:40 pm

    Preciso ler mais e mais Márcia Tiburi, sempre um espetáculo de texto.

  4. Renê permalink
    30 de novembro de 2012 5:42 pm

    fuck off 50 tons! por isso sou seu fã!

  5. Ana permalink
    30 de novembro de 2012 6:06 pm

    Olá, Márcia! Te vi falando sobre uma Ode à Baobó. Estava tão bêbada que fiquei meio que viajando na história… Por favor, o que é Ode à Baobó? Agradeço pela atenção.

    • 30 de novembro de 2012 6:24 pm

      Vc deve estar se referindo ao texto do Vernant, chamado A morte nos olhos… Baubó é uma divindade que tem uma semelhança com a Medusa, só que o que nesta é olho, naquela é vagina…

    • Ana permalink
      6 de dezembro de 2012 7:21 am

      Agradeço pela informação.

  6. 30 de novembro de 2012 6:24 pm

    estou me tornando uma fã

    • Tatiana Saturno permalink
      30 de novembro de 2012 8:39 pm

      Acho melhor não se tornar fã, que tal admiradora?

  7. 30 de novembro de 2012 6:32 pm

    Mais uma vez, Márcia, estou contigo. Que bom que esse livro foi pichado! E que bom que temos a liberdade, não só de dizer o que pensamos, mas sobretudo, de não agradar. Já fui chamada de chata nas redes sociais por fazer críticas a chavões machistas e coisas do gênero, mas não me importo, porque sei que vou agradar a uns e desagradar a outros. Faz parte.

  8. Cassia Aresta permalink
    30 de novembro de 2012 6:36 pm

    Márcia, não li o 50 Tons de Cinza, e acredito que não o farei.Ou talvez daqui a algum tempo quando todos não estiverem mais comentando a respeito, e se não tiver mais nada interessante para ler, o que eu duvido muito, eu venha a ler o dito cujo.O que me espanta mais, além do que vc cita acima, é por que de tempos em tempos alguém consegue escrever algo que mobiliza o mundo todo?O que leva a humanidade num certo momento precisar de algo assim e se espalhar pelo mundo afora?Não acredito que seja só um bom marketing.
    Abraço.
    É sempre muito prazeroso ler o que vc escreve.

  9. Zan permalink
    30 de novembro de 2012 6:40 pm

    Hoje em dia todo mundo que pensa é “chato”. A maioria quer mesmo é tudo que é fácil e “relativo”: religiões fáceis de seguir (criadas por mim mesmo), livros, filmes, quadros e discos fáceis de digerir, prazeres fáceis de alcançar…Não é à toa que a mediocridade anda tão em alta. Ainda virão muitos outros Cinquenta Tons de Cinza por aí…

    • Caroline permalink
      30 de novembro de 2012 6:52 pm

      Podia ter um botãozinho de curtir aqui no wordpress pra eu curtir o comentário de Zan. 😉

    • 1 de dezembro de 2012 9:17 am

      Zan
      Muito bem!
      Todo mundo quer tudo sem esforço nenhum.
      Faço minhas suas palavras

  10. Zan permalink
    30 de novembro de 2012 6:43 pm

    Hoje em dia todo mundo que pensa é “chato”. A maioria quer mesmo é tudo que é fácil e “relativo”: religiões fáceis de seguir (criadas por ELAS MESMAS), livros, filmes, quadros e discos fáceis de digerir, prazeres fáceis de alcançar…Não é à toa que a mediocridade anda tão em alta. Ainda virão muitos outros Cinquenta Tons de Cinza por aí…

  11. 30 de novembro de 2012 6:43 pm

    Infelizmente algumas pessoas não têm capacidade de abstração ao ponto de se desligarem dos objetos nos quais investem seus desejos e perdem a capacidade crítica sobre eles.

    Parabéns pelo ótimo texto!

  12. 30 de novembro de 2012 6:48 pm

    Márcia, achei teu texto anterior um belo dispositivo. Claro, assim como tu, fico chateada e até mesmo “p…da vida” quando leio ou ouço falar de livros que repetem a lógica da coisificação das relações. Não li, mas penso que deva ser algo como as Júlias e Sabrinas que fizeram muitas meninas a acreditar que príncipes existiam… Tive um professor de literatura que me deu uma “puteada” quando me viu com esses tipos de leitura. Moça comportada, voltei à literatura… Lembro dele com tanto carinho que homenageei-o na época em que escrevi um memorial para a seleção de mestrado. Descobri o e-mail dele e enviei. Ele me agradeceu muito, já não era mais professor, havia se desiludido. Morreu um mes depois do agradecimento. Ele sim foi importante, e ele foi bem rude… Fiquei feliz que teu texto desacomodou, pungiu e fez pessoas se arriscarem no campo das reflexões (nem sou de escrever,mas estou aqui também) coisa rara na atualidade. Tá, algumas coisas que o povo escreveu estão desmedidas, mas penso que é por conta da dor de remexer em algo que está tão escondido, quase inalcançável… Isso provoca reações de refutação imediata. Quase um “sai daqui que estou acordando”… Obrigada pelo presente!

  13. 30 de novembro de 2012 6:50 pm

    O livro é ruim mesmo e muito cupcake pra quem quer ler sobre sexo!

  14. LUIZ CARLOS DA CUNHA permalink
    30 de novembro de 2012 7:02 pm

    MUITAS VEZES FALAM TANTO DE DETERMINADO LIVRO OU FILME QUe TERMINAM AGUÇANDO A CURIOSIDADE…AGORA TEREI QUE LER O TAL LIVRO PRA SABER QUE “PITO TOCA”. não necessariamente o que é bom para uns não é bom para outros e pára ter a minha opinião terei que ler odito livro, e assim ganha a industria do livro.ponto para eles.

  15. Mara permalink
    30 de novembro de 2012 7:06 pm

    O direito a discordar com argumentos pensados e levados a sério é uma forma de elevar a reflexão e este teu texto tem este mérito. Eu gosto muito de ler, mas não gosto das imposições do mercado editorial. Quantas vezes não consigo um bom livro que tenciono ler e no estabelecimento há pilhas e pilhas de um mesmo título.

    • 3 de dezembro de 2012 12:29 pm

      O mercado editorial trabalha coagindo de uma maneira muito menos agressiva que o mercado intelectual, em nenhum momento ele atribui caráter negativo aos livros ou a redução dos leitores de livros mais acadêmicos.

      Quanto à questão de pilhas de livros, só se imprime sob demanda. Cabê ao setor intelectual conquistar a mesma demanda, e que seja de forma honesta, considerando a liberdade de escolha.

  16. 30 de novembro de 2012 7:27 pm

    Passei pelo texto anterior, e foi um evento! O texto era curto e cinicamente engraçado e gerou quilômetros de comentários 🙂 Este, tão longo e detalhado, será que atrairá tantos? Talvez aí esteja uma das fórmulas de sucesso imediato. Você provoca, mas mostra e aceita as reações, todas as reações, e isso é que é saber conviver com os iguais e os diferentes.

  17. 30 de novembro de 2012 7:30 pm

    Concordo com tudo escrito (acompanhei silenciosamente a discussão que se deu pelo último post). E aí fica a pergunta…Quantos dos enraivecidinhos de ontem leram/lerão esse texto até o final? É fácil ler (prazeroso, até, por vezes) ‘mais do mesmo’ – difícil é se deixar confrontar e mergulhar naquilo que nos é estrangeiro, diferente, desconfortável, que desafia o nosso senso comum. Para mim, o fenômeno 50 Tons não passa disto (nesse sentido Crepúsculo, por exemplo, não fica para trás, apesar do teor do ‘sexo por vir’ e não do ‘sexo acontecendo’, como é o caso do 50 Tons) – uma ode ao samba de uma nota só da Indústria Cultural. E a literatura, coitada, fica esquecida em alguma estante mal arrumada.

  18. Karen Guedes permalink
    30 de novembro de 2012 7:32 pm

    Confesso que eu li 50 tons levada pela curiosidade, tanto falatório, eu queria saber do que se tratava. Não gostei do livro, mas não saio atacando quem gostou. Como disse a Márcia, só posso lamentar. Cada um sabe de si. E de certa forma, essa ignorância expressa por quem defende este livro agressivamente, só nos mostra que elas não tem capacidade de gostar de coisa melhor.

  19. Tatiana Saturno permalink
    30 de novembro de 2012 8:43 pm

    Eu li uns 3 livros de Paulo Coelho, que minha professora emprestou. E na verdade gostei de ler, mas não gostei do que eu li. Li “A genealogia da Moral” do Nietzsche e gostei de ler, do que li e do que continuo pensando a respeito dele…

  20. Tatiana Saturno permalink
    30 de novembro de 2012 8:46 pm

    Concordo com a Márcia, ler é bom e acabamos viajando por causa disso, mas que tal viajarmos pagando a passagem e comandando o avião?

  21. Aline Coelho permalink
    30 de novembro de 2012 8:52 pm

    Márcia, tenho 18 anos, e tô “crescendo” na literatura, te considero minha “mãe” me ensinando a democracia e a literatura de conteúdo.. Desculpa por não comentar nada sobre o assunto, é que, seus textos são aqueles textos que leio e penso “Nossa! Essas palavras me descrevem” Te admiro..

    • 1 de dezembro de 2012 11:12 am

      Que lindo isso, Aline. Que bom que vc tem 18 anos e tem esse espírito de aventura intelectual. Vamos continuar lendo e escrevendo o que a gente quiser e desmistificando a pseudo-escolha da indústria cultural… Um abraço forte

      • Edith Janete Schaefer permalink
        1 de dezembro de 2012 1:41 pm

        Acabei de ver “O Gosto dos Outros”. Também recomendo!!! Siga dando dicas!!

  22. L. bran permalink
    30 de novembro de 2012 9:26 pm

    Quanto espetáculo! (no sentido Debordiano do termo).
    Já que o mercado nos oferece tons, eu fico com “50 Tons Jobins”, “50 Tons Zés”, rs

  23. 30 de novembro de 2012 9:26 pm

    Márcia, sou sua fã, respeito mto seu trabalho, mas não aguento mais ouvir o pessoal criticando a trilogia sem nem saber realmente sobre o que se trata e pq foi feita. Vc sabia que essa trilogia é uma fanfic do Crepúsculo?? Pois é.. ela foi lançada na internet originalmente com o nome de Master of Universe que era para ser uma história do Edward e da Bella mais apimentada, já que o Crepúsculo é tão casto. No original, todos os personagens do Crepúsculo foram mantidos e ela apenas fez uma adaptação da história. O sadomasoquismo foi escolhido por ela por ser uma coisa tão chocante e um impecilho tão grande pra Christian e Ana qto o vampirismo foi para o Edward e para Bela. Nem ela imaginou que fosse causar uma repercussão tão grande. O livro não tem intenção de ser uma grande obra literária mto menos de ser inteligente. Acredito que como eu, todos os fãs de crepúsculo amaram, pq ela tirou da história as coisas chatas que tinham na trilogia da Stephanie Meyer e colocou outras coisas que deixou a história mais interessante. Só isso. Só que as pessoas que não sabem disso acabaram vendo o Cinquenta Tons como algo isolado, tanto para criticá-lo qto para amá-lo. As pessoas se prenderam demais pelo fato de ele ser um romance erótico para adulto. Acho que até foi interessante no sentido de que mtas mulheres perderam seus pudores ao lê-lo e conheceram um universo novo, além de mtos casamentos terem sido salvos. Mas ao mesmo tempo, é importante ressaltar que o sexo, o SDBM não é o foco principal da história. O foco é a história de amor dos dois. Os obstáculos que eles têm de transpor para poderem ficar um com o outro, principalmente o Christian, que, assim como Edward, não se acha digno do amor de Ana, vai praticamente ao inferno enfrentar seus medos e suas fraquezas para merecê-la. Aí é que está a beleza do livro. Espero que as pessoas antes de julgá-lo consigam entender primeiramente o contexto pelo qual ele foi criado.
    Bjokas, Mirelle

  24. reginaldopinheiro permalink
    30 de novembro de 2012 9:28 pm

    Quando eu encontrei uma colega de curso lendo tal livro, não hesitei em perguntar sobre o tema. A resposta me chocou por saber que tantas pessoas estavam lendo. E quando vi minha sobrinha(que quase nunca leu um livro por vontade própria) com um exemplar debaixo do braço eu senti a necessidade de uma boa critica como essa. Eu agradeço por fazê-lo.

  25. 30 de novembro de 2012 9:51 pm

    Gosto do preto ou do Branco. Tons de Cinza eu vomito! Parabéns Márcia!

  26. rosina soares pereira permalink
    30 de novembro de 2012 10:13 pm

    vc é muiiiiito!! valeu…ainda bem que existem pessoas assim….consolo…abraços e SALUTE…TIN…TIN

  27. Juliana Magalhães permalink
    30 de novembro de 2012 10:19 pm

    Oi Márcia, li o post de ontem e todos os 202 comentários. Li o excelente texto de hoje e achei mesmo genial a forma como você escreve e defende suas idéias.
    Embora essa realmente não seja a questão discutida aqui, eu realmente gostaria de saber em quais pontos você acha que o livro humilha as mulheres. Se você achar descabido demais responder neste post mesmo, quem sabe não faça um texto igualmente bom falando do seu ponto de vista sobre isso? Abraços/ Juliana

  28. 30 de novembro de 2012 10:29 pm

    Bem, sou uma das “enraivecidinhas” de ontem e cá estou, mais uma vez, comentando em um post desse blog, no qual nunca havia entrado (e provavelmente não entrarei de novo), após ter lido o post – ACREDITEM – inteirinho!

    Desculpe a minha ignorância, mas para mim, esse novo post falou, falou e ficou na mesma. Continuo achando a “brincadeira” desrespeitosa e a generalização muito burra.

    Até onde percebo, nunca vi alguém afirmar que esse livro é literatura erudita, mas acredito piamente que se encaixe como literatura popular e, mais uma vez, não vejo nenhum problema nisso.

    Agora, fico feliz que você não tenha se importado com a agressividade de alguns comentários, ora, afinal você mesma foi um tanto agressiva e não poderia esperar, em um ambiente tão aberto quanto a Internet, que isso passaria despercebido, não é mesmo?

    Quanto ao livro tornar-se mercadoria, eu sou uma dessas que diz que eles sempre foram. Independente de seus preços e pesos intelectuais. Tenho certeza de que se hoje você entra em uma grande rede de livrarias, obviamente, verá uma montanha de Cinquenta Tons (em lojas mais “socialistas” o cenário é diferente), só que isso não aconteceu de repente. O que começou com uns 3 livrinhos expostos, que se esgotaram rapidamente, foi crescendo, as pessoas foram gostando – por algum motivo – e, no mundo, todos querem ganhar dinheiro. As lojas querem mesmo mostrar “ei, nós temos o famigerado livro”. Qual o problema disso? Maior a demanda, maior deve ser a oferta. Sinto muito. Aliás, pelo que me lembro, (citarei um autor mais aceitável pelo ambiente acadêmico) foi a mesma coisa depois do lançamento do filme Ensaio Sobre a Cegueira. Será que o problema da transformação de uma obra literária em mercadoria também foi tão grave?

    Bem, continuo achando que o tal livro não foi escrito para alienar, não me senti humilhada ao lê-lo, mas também, nunca me considerei uma feminista de carteirinha, muito menos uma “feminazi” que não releva nem uma fantasia que está sendo lida pelo mundo todo e por pessoas que não compraram o livro desavisadas e sim porque sabiam muito bem do que se tratava.

    Sabe, essa coisa de pichar livros, ou queimá-los, não vai nada com a minha maneira de ver a vida. Assim como em filmes, eu aprendi que TODA a obra tem uma coisinha boa que seja. Se for um filme boboca de lutas, ou de carros que vivem de rachas, eu posso ouvir uma trilha sonora maravilhosa, ou um figurino super de acordo, ou um coadjuvante que representou muito bem seu papel. Eu consigo ver as coisas separadamente e é exatamente que acontece com minhas leituras. Eu procuro sempre deixar minhas exposições sobre determinado assunto de formas bem concretas e não simplesmente jogá-las de forma abstrata e esperar que outros venham concretizar o que eu disse. Desse jeito, não corro riscos de ser mal interpretada. Mas, bem… essa sou eu…

    Um abraço cordial.

    • Carolina saad permalink
      1 de dezembro de 2012 2:46 pm

      Concordo com você Isabella. O contrário é tapar o sol com a peneira, vamos ser claros… Abs!

  29. 30 de novembro de 2012 10:34 pm

    Querida, não consegui terminar a leitura dos 50 tons, Penso que os livros permanecem na gente muito mais tempo do que o simples tempo da leitura, por isso tenho receio de alguns e prazeres com outros. Eu, por exemplo, sinto-me ‘gravida’ de um livro seu. 😉 Bjos e saudades

    Deborah Malheiros De Mello

  30. Fátima Santiago permalink
    30 de novembro de 2012 11:23 pm

    Concordo plenamente com a ideia de que gosto se discute, Márcia. Verei o filme que indicou aqui. Um dia desses quase que comprava Os 50 tons de cinza, de tanto vê-lo em livrarias e lojas de departamento. Depois desse debate, continuarei lendo os livros que me esperam na estante, dos quais as críticas que li dizem que são histórias bem contadas em linguagem belamente construída, a exemplo de Fio de Prumo e Marcoré, de Antônio Olavo de Carvalho. Abraços

  31. 30 de novembro de 2012 11:31 pm

    Parabéns Márcia! Seu post está excelente, (não sei qual dos dois é o melhor, ambos são ótimos) uma aula de filosofia, cultura, educação e refinamento. E concordo com você quando diz que, “… este livro, a meu ver, manifesta a experiência empobrecida do nosso tempo e ajuda a promovê-la mais ainda.” (…). E acrescento: só não vê, quem não quer. Um beijo grande.

  32. Cecília Gabrielan permalink
    1 de dezembro de 2012 12:23 am

    Márcia, eu não li o livro e, salvo alguma necessidade maior, não pretendo ler por total desinteresse nesse tipo de literatura e por saber que os livros são muitos e a vida curta.
    Acompanhei em silêncio o ‘afuê’ do post de ontem. Adorei sua provocação e as reações e esperei por este teu texto de hoje. Está excelente. Mas fiquei com gostinho de quero mais sobre “o que há neste livro que mexe tanto com as pessoas? Penso que esta seja a pergunta mais importante que possamos nos fazer diante do fato deste livro”.
    Sim, as estratégias de marketing, a mecânica perversa da indústria cultural e até o fato do livro ser conservador e humilhar a imagem das mulheres, respondem em parte esta questão, mas penso que você se concentrou no fato que mais marcou esse blog (e você) ontem: o alto número de acessos e comentários, a “guerra de ideias”. Dessa forma, a perguntamaisimportante foi pouco abordada, o que pra mim é uma pena porque gostaria de ter acesso à sua visão perspicaz sobre ela. Em qual programa de TV você falará sobre esse livro?
    A minha curiosidade se dá, entre outras coisas, porque compartilho com você de uma relação ‘sagrada’ com o livro, a literatura, a arte… e me impressiono com essas bolhas que surgem de tempos em tempos, procuro entender por que encontro tantas pessoas nos ônibus lendo este livro, quando tantas vezes não liam nada, e não encontro, muitas vezes, alguém para conversar sobre um livro que acabei de ler ou sobre um autor que acabei de conhecer.
    Abraços.

  33. 1 de dezembro de 2012 7:41 am

    Belo texto novamente! Eu sou exatamente do “contra”, não leio tudo que todo mundo tá lendo, e nem uso o que todo mundo está usando. Me chamam de rebelde e de gás nobre (que não se mistura com os demais), mas sou feliz assim. Tenho amigos que praticam BDSM e eles mesmo ficaram indignados com esse livro, pois não tem nada a ver com a realidade. Enfim, prefiro escolher meus livros, do que eles me escolherem (aqui fala uma leitora inveterada e bibliotecária).
    Parabéns e continue sim, criticando e nos brindando com textos lúcidos nesse mar de ignorância.

    Abraços!

  34. 1 de dezembro de 2012 7:57 am

    Em relação ao poder da indústria cultural, aparentemente, o mecanismo usado em favor de obras, digamos, menos nobres, está viciado e passou a hora de ser lançada uma corrente contra essa maré. Temos que entender que a melhor forma de controlar alguém é fazendo com que essa pessoa pense que age ou agiu por conta própria. E, no caso dos livros dessas listas de mais vendidos, poderíamos tê-los como sendo cavalos de troia literários, que servem como um mecanismo poderoso para manobra das mentes.

    Explicando: um cavalo de troia literário daria como resultado, ao final da leitura, o entendimento involuntário de uma ideia pelo leitor, ou seja, ele capta uma mensagem diferente daquela que pensou ter lido, mas que estava, simplesmente, mascarada e foi desenvolvida ao longo da narrativa. Não me refiro ao delineamento construtivo de enredo com desenrolar e/ou desfecho inusitado, mas a transmissão de uma ideia, um meme acoplado a isso que, disfarçadamente, entenderíamos como a moral da história.

    Às vezes, o que causa horror e entendo a chateação da Márcia é que muitos dos livros que se fixam durante semanas na lista dos mais vendidos sejam exemplos de cavalos de troia literários que produzem um efeito negativo, que subestimam as inteligências desafiadoras e causam certa vergonha alheia. No entanto, esse mecanismo prevê que tudo esteja velado sob o clima do enredo. Por exemplo, nenhum autor ou editora proclama que, ao ler o livro, o leitor será influenciado e estará sujeito a desenvolver uma sociopatia, mas é o que vemos nos casos em que, permissivamente, criam-se situações afins e a indústria cultural tolera isso.

    A proposta adequada para uma revanche seria usar o próprio poder do mecanismo da indústria cultural para driblar e sabotar isso, pelo menos no aspecto literário, cujo “produto” (no sentido de obra – o livro) é uma ferramenta sagrada da humanidade, como bem colocado pela Márcia. Assim, o que facilita e favorece o consumismo deve ser usado para proclamar ideias construtivas e nobres do ponto de vista ético, usando-se dos mesmos artifícios, por exemplo, começando pela criatividade para construção de títulos intrigantes (a meu ver, um dos principais meios de instigar a curiosidade do leitor – que parece ser o caso do “50 tons de cinza”). Além disso, desejando-se atingir as massas, uma escrita não muito rebuscada e mais acessível cujo assunto geral da narrativa, trabalhado como pano de fundo, desperte o essencial: a vontade de ler. O leitor deve ficar entretido e ávido pelo desfecho e as ideias nobres, sejam elas quaisquer pela vontade do autor, devem estar intrincadas de forma sutil e quase subliminar e não escancaradamente.

    Pela crítica ao 50 tons, ele promete uma dose de erotismo mas que não surpreende, entretanto, o próprio assunto já é instigante pra uma certa parcela da população cuja construção cognitiva é induzida culturalmente e, assim, previsível, que ao final da leitura absorve…. o quê? Qual o meme dessa obra? Ao que parece, esse pessoal que escreve babaquices e racham de ganhar dinheiro em pouquíssimo tempo se apoia nessas artimanhas, afinal, é a receita usada até agora para ampliação do fútil, do supérfluo, do imbecil, do sujo e do atrasado.

    Por outro lado, os cavalos de troia literários com essa construção pretensiosa e perspicaz que são usados para o bem, provavelmente, sejam a minoria dos mais vendidos atualmente.

    … beijão Márcia, te admiro muito.

  35. Magali, a linda nos EUA permalink
    1 de dezembro de 2012 10:28 am

    Gente, temos pp e agora bc, bemcomidas, eu quase fui comida por um pitbull ensandecido que fugiu do dono bombadão na avenida. Meu Deusssss!

  36. Carolina saad permalink
    1 de dezembro de 2012 2:51 pm

    Como prometi via Twitter, vim acompanhar!
    Concordo com Márcia em inúmeros aspectos, sobretudo no que concerne ao livro, a narrativa.
    O livro entretém apenas, se isso é literatura, não sei, e essa questão se aplica, como ela mesmo diz, a todas as linguagens atualmente, do cinema a literatura.
    Não concordo, absolutamente, qdo a critica se volta aos que gostaram do livro. Acho que nunca, mesmo no “universo literário”, especialistas devem generalizar um fenômeno. E isso parece acontecer qdo fala-se de “gosto”…
    Conhecimento, formação e boas referências todos podem ter, mesmo sem ter como profissão a crítica… penso que isso nos deixa mais livres para sofrer junto de Hilda, se amargar com Lobo Antunes ou simplesmente curtir, e rir, (apenas isso), com 50 tons, sem maiores preocupações… 😉
    De qualquer firma valeu pelo texto!

  37. 1 de dezembro de 2012 3:49 pm

    O preço financeiro cobrado pelos livros da Márcia Tiburi (ou dos que ela indica) os tornam da mesma forma meras mercadorias, podem também não trazer experiências satisfatórias, e podem também não serem benéficos socialmente.

    O leitor é diverso, a experiência com o mesmo é individual e isso deve ser respeitado.

    Meu recado para qualquer leitor: Não seja doutrinado a ler o que os gurus dizem, seja doutrinado a ler o que o gurus dizem, não escolha na lista dos mais vendidos, escolha na lista dos mais vendidos…

    Sejam livres, pois as experiências são individuais e nenhum livro tem a obrigação de satisfazer o leitor ( e nem a critica especializada, tsc tsc tsc) e muito menos os fatores sociais politicamente corretos.

    Que bom que temos livros de todos os tipos, porque se esse tipo de reclamante tivesse o poder em mãos, com certeza esses livros não seria comercializados por trazerem “problemas sociais”.

    Abraços

    • 1 de dezembro de 2012 3:50 pm

      correção: O leitor é diverso, a experiência com o livro é individual e isso deve ser respeitado.

    • TADEU CASTRO permalink
      1 de dezembro de 2012 7:25 pm

      É isso aí! Não se pode tentar doutrinar o leitor!

  38. 1 de dezembro de 2012 3:58 pm

    Marcia,

    Minha mãe (que está lendo o livro) postou seu texto e vim checar. Muito obrigada! Admiro a sua paciência e tempo dedicado para o questionamento por trás dos tons de cinza. Como uma acadêmica e especialista nas bases neurológicas da visão de cores, o livro não me atraiu desde a escolha de seu título…

    Um grande abraço!

    PS. Posso fazer um adendo (moro em Chicago)?: “vide a o estado da educação e da saúde no Brasil” e nos Estados Unidos (pelo menos).

  39. 1 de dezembro de 2012 4:00 pm

    “Nada contra o 50 tons de cinza, tenho até amigos que o leram”

  40. TADEU CASTRO permalink
    1 de dezembro de 2012 7:22 pm

    Acho interessante seu repudio ao livro como mercadoria. Comprei seu livro mais recente (ainda não o li) e o processo pelo qual o adquiri foi o mesmo de qualquer outra mercadoria. Tipo, ele não foi de graça (rss). O livro tem seu lado artístico e cultural, mas também tem seu lado mercadoria, e não fosse assim, do que viveria os escritores? (rss) O fato de um livro vender muito, faz com que o dono da editora (editoras e livrarias vivem da venda dos livros. Acho que não preciso explicar isso para você, ne? (rss) ) invista ainda mais na sua divulgação e não vejo nada de estranho nisso. Seus comentários condenando quem vende muito pode soar como uma certa inveja… hehehe. Num país em que as pessoas não leem porque quando meninos são obrigados a ler “A MORENINHA” (que segundo o que dizem é um livro chatissimo) e ai gravam desde então que ler é uma coisa chata, seria muito mais produtivo deixar as pessoas fazer as suas próprias escolhas lendo se for o caso “AMANHECER”, “HARRY POTTER” OU “CINQUENTA TONS DE CINZA”, pois isso já seria uma grande evolução, pois traria para as pessoas o básico, que ainda não temos, o habito de ler, o que com o tempo traria uma evolução natural no sentido de leituras mais profundas, rumo que elas decidiriam em qual direção se daria e não discursos como o seu, que tentam ditar o que é bom e o que não é as pessoas lerem, pois isso cabe a cada um decidir!

  41. Giuliana Michelino permalink
    1 de dezembro de 2012 8:43 pm

    Olá Marcia emquanto lia seus comentarios acima, uma pergunta me veio a mente, e não sai dela! Fiquei curtindo também,os comentarios sobre comentarios dos outros, mas me concentrei mais sobre o que respondia a minha pergunta de uma maneira simples e genial! Hoje vou ficar compartilhando comigo mesma essa resposta! A pergunta que estava me martelando: Para que serve a Arte?!

    • TADEU CASTRO permalink
      2 de dezembro de 2012 3:21 pm

      Giuliana, acho que cada um terá a sua própria resposta, pois cada um faz o uso pessoal e particular que achar melhor. Mas a melhor resposta que já ouvi para essa pergunta é: “ela não serve para nada, pois ela não tem a obrigação de servir para alguma coisa e talvez esteja aí o seu grande valor” … Valeu!

  42. izabel permalink
    1 de dezembro de 2012 9:13 pm

    Ñão li o livro, o que li até agora foram seus dois textos e todos os comentários. E finalmente, depois de ler aqui a Isabella Meneses e lembrar do tipo de coisa que te falaram, acho que entendi um pouco do motivo de defesa do livro…falar que este livro não é legal é uma espécie de violência não à vaidade dos leitores, como pensei a princípio, mas ao secreto de seu sonho ou sexualidade, alguma coisa assim. rs. Mas eu sou bico, já disse, não li nada. Estou lendo um livro seu, Márcia, e um do Zizek. Literatura com prazer!

    • 4 de dezembro de 2012 12:04 am

      Não entendi sua menção ao meu comentário… rs. Mas é que eu gostei da trilogia, né? Então devo ser meio tapada… tsc

      • Gressiely permalink
        2 de janeiro de 2013 5:27 pm

        hahahaha… Te adoro, Isabella Meneses – e nem te conheço tsctsc!

  43. Vovó Filomena permalink
    2 de dezembro de 2012 7:42 am

    Geralmente qdo o príncipe chega o desfecho se dá na delegacia da mulher, Cinquenta tons de roxo, de vermelho.Mulheres, parem de sonhar com o príncipe, carência atrai é princicopatas. hehe!

  44. maria paiva permalink
    2 de dezembro de 2012 8:54 am

    ‘Gosto eh formado cultural e educacionalmente’.

  45. Patrícia Grumiche Silva permalink
    3 de dezembro de 2012 12:16 am

    Olá Marcia, conheci seu blog hoje e compartilho da maioria das suas reflexões quanto ao mercado editorial.

    Gostaria de deixar um depoimento aqui sobre como me relaciono com os livros e a leitura.

    Nunca utilizo o critério “lista dos mais vendidos” nas minhas escolhas. Sempre penso na brevidade da vida e de como posso aproveitá-la da forma mais lúcida possível. Por isso a seleção se faz sempre urgente em todos os aspectos.

    Compreender um pouco sobre como funciona a indústria cultural me ajuda muito a evitar algumas armadilhas mercadológicas, como acredito ser esse o caso do “livro pixado”.

    Falando nisso… li em um comentário a crítica de que seus livros também são vendidos e por isso igualmente desqualificados. Acho este um argumento equivocado.

    Inspirada em Conte-Esponville, preciso dizer que não há nada de moral na economia. E que sim, a venda de bens culturais é totalmente questionável, mas também tem uma questão que é a de que os livros modificam pessoas e as percepções que elas tem da realidade. A leitura a muito vem sendo considerada uma forma de compreender e se posicionar no mundo. Mas ao mesmo tempo que desvela também pode amordaçar.

    Comigo a coisa se dá mais ou menos assim, se planejo ler um livro erótico vou procurar escolher um autor que seja reconhecido por seus pares, as indicações na crítica especializada ou vou recorrer aos clássicos que sobreviveram ao tempo. De novo o tempo… é ele o responsável pelo cuidado que tenho com minhas escolhas.

    É uma questão de critério e alinhamento de como pretendo usufruir da existência. No mais a prudência sempre me lembra de tapar os ouvidos para o canto das sereias. Há muito não sei o que está nas listas dos mais vendidos. A leitura no meu caso passou a ser uma questão de planejamento e projeto de felicidade… que me faz pensar… e talvez por isso mais livre.

  46. 3 de dezembro de 2012 9:21 am

    Márcia! Li seu post sobre o ’50 Tons’… li os comentários (concordâncias e agressividades). E como vi que seu segundo post sobre o mesmo tema era IMENSO, entendi que os comentários agressivos te incomodaram (não sei se realmente te tocaram, mas incomodaram de alguma maneira).
    Penso que é bem mais fácil ver com clareza a palavra do outro, já que na nossa palavra há nossos sentimentos. A vaidade é terrivelmente perigosa.
    Acompanho você quando posso… ouço e leio suas palavras. Gosto muito. Você é como uma representante da minha lógica.
    No entanto, acho que você não viu, que o seu texto sobre o livro ultrapassou a crítica literária e atingiu o leitor (penso que na sua mais sagrada qualidade que é a inteligência).
    Poderia o seu leitor ter feito uma interpretação menos ‘baixa auto-estima’ da sua crítica, mas também poderia ter tido mais cuidado ou amorosidade no seu texto (com quem leu, não com o livro).
    Não li o livro, pois já suspeitava que ele era como é. Literatura pobre já basta a minha.

    Beijos em você, Márcia!

  47. 3 de dezembro de 2012 11:22 am

    Voltei aqui apenas para propor uma reflexão sobre o modo operante da autora do Blog e do diretor do Xuxa Park (risos) que chamou os fãs de Pica-Pau de retardados, idiotas e depois falou de “lavagem cerebral” também.

    Esse vídeo: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ZNNm8Tp_LtI

    Eu sinceramente achei muitas coisas em comum.

    • Lelia santos permalink
      8 de dezembro de 2012 9:01 pm

      Espontaneamente, também me veio em mente.

  48. 3 de dezembro de 2012 1:03 pm

    Eu sempre quero encerrar, mas sempre lembro de uma coisa, e prometo que essa é a ultima.

    Você falou em lutar contra o mercado cultural, os malefícios dos escritos (já que não considera literatura, considero isso mais uma forma de inculcar que algo é inferior), sugiro algo bem simples:

    Seria interessante primeiramente lutar para atribuir um valor interessante aos seus livros, acabei de fazer uma pesquisa e os preços praticados não são atraentes, e isso pode prejudicar seus planos de libertar as pessoas.

    • Knulp permalink
      7 de dezembro de 2012 12:29 pm

      A prof não é pastora pra querer ¨libertar¨ ninguém !

  49. Lelia santos permalink
    8 de dezembro de 2012 8:57 pm

    Intimidada, intimidante, irônica mas com notas de sarcasmos que me fazem rir em muitas linhas. O tema do post foi o primeiro que li, então se te refresca, as pessoas que compartilharam de maneiras cordata ou imatura, mostrou um lado de seu trabalho que complementa minha vontade de filosofia. Mas deixando uma opinião pessoal, assim como o direito de expressão me permite, não li o livro, mas já me sentiria envergonhada em pensar em segurar tal título e olha que não sou leitora de nada, mas as vezes uma simples distração nos permite fuga, justificando nossa sociedade alienada. Enfim, a males que vem para bem não importa a quem. Bom trabalho.

  50. Alice permalink
    10 de dezembro de 2012 8:23 am

    Olá Márcia,
    confesso que mesmo eu sendo adepta ao feminismo gostei bastante do livro, talvez porque anterior a sua crítica via de outra forma. Talvez meu olhar tenho sido mesmo precipitado ou um tanto quanto alienado.
    Lógico que existe todo um quadro de machismo ali presente, porém eu como mulher sempre achei muito belo mulheres bem resolvidas sexualmente o que “ainda” não é meu caso, acho que por questão cultural, familiar, enfim questões que desde sempre vem sendo colocadas em nossa mente e acabam travando nosso sexo, o fato é que me vi pela primeira vez desconstruindo esse “pudor” desnecessário (embora já tivesse o feito várias vezes mentalmente), ora mulheres também tem total direito a sexualidade.
    Confesso me vi completamente atraída, envolvida com o tom erótico do citado livro, outra coisa que me maravilhou foi o fato de que, (ou sou muito alienada mesmo), jamais tenha se visto mulheres de todos os tipos, classes etc e tal,, falando tão abertamente sobre sexo e e dando-se o direito do prazer e confessando querer tal prazer, ora é nosso direito, (mesmo que este diga-se a grosso modo, seja o da “calcinha molhada” causada pela leitura do conto de fadas moderno erótico). Nunca vi homens tão “emputecidos” por causa de um livro e isto é, no mínimo cômico, como se eles sentissem -se obrigados a correr atrás do prejuízo, talvez essas observações sejam próprias do meu mundo, ou talvez não, então acho que de alguma forma foi válido tal livro., por fim sou grande admiradora sua e acompanho sempre seu blog, quando li a crítica me vi “obrigada* a pensar melhor o livro, ainda assim Gosto dele.

  51. Helga permalink
    12 de dezembro de 2012 8:34 am

    Eu também não conhecia teus textos e nem sabia do teu blog. Te dou parabéns pelo conteúdo geral! Mas esse papo de mulher grávida e ‘mãe de família’ (que termo horrorosamente preconceituoso, hein?) não escolherem o livro… é pra salvá-las? Que bobagem! Elas não podem fantasiar? Elas não transam, não dão??? São castas e puras porque vão parir ou já pariram?! Pensamento beeeeeem provinciano, hein? Tá na hora de rever esses conceitos atrasados e limitantes, querida!

  52. Karen Guedes permalink
    18 de dezembro de 2012 9:50 am

    Gostaria de compartilhar com vocês esse texto: http://www.sobreavida.com.br/2012/12/18/50-tons-de-cinza-uma-analise-psicologica/ Muito interessante! Esse psicólogo é ótimo.

  53. sayonara Farias de OLiveira permalink
    21 de dezembro de 2012 4:27 pm

    Fantástico seu post!
    Quando comecei a ler esse post, e tive a mesma sensação de indignação, quando entro nas livrarias e vejo pilhas e pilhas de livros de 50 tons de cinza.
    Seria muito bom mesmo que tivesses livros para ajudar a aumentar a sensibilidade das pessoas, mas infelizmente a maioria das pessoas está num nível muito baixo para buscar se elevar a níveis mais altos de consciência, porém continue fazendo seu papel, escrevendo e ajudando as pessoas a despertarem! Esse é o papel de todo filósofo! Uum dia chegaremos lá! Abraço!!

  54. Roberto Rocha permalink
    28 de dezembro de 2012 12:52 am

    O sucesso desse livro é apenas o reflexo do baixo nível cultural e informação do brasileiro.

  55. Eva permalink
    4 de fevereiro de 2013 11:37 pm

    O que mais me amedronta é que o sucesso desse livro está diretamente ligado a baixo estima feminina. Depois de ler o livro e pesquisar sobre essa histeria coletiva.,entendo totalmente a forma contundente como você criticou. Grande abraço.

  56. luciane permalink
    6 de fevereiro de 2013 12:38 am

    Gosto de ler.E leio muito rápido.E já esclarecendo,entendo o que leio.Deste modo,
    Contaminada pelo burburinho sobre esses 50 Tons,comprei o livro mais por curiosidade do que qualquer outra coisa,visto que seu eficiente marketing espalhava aos quatro ventos que o livro havia sido recolhido nos E U A e provavelmente também seria no Brasil.
    Como disse Márcia Tiburi,sendo levada,tragada pela indústria, tudo certo,todas as minhas amigas lendo,o mundo lendo,as livrarias com o exemplar 1 e 2 sob os holofotes e o exemplar 3 sendo lançado somente em inglês,com previsão para ser lançado em portugues só em março…Um Show!!! Comprei o livro, passeei no shopping,eu, marido e filhinha.Cheguei em casa, sentei e fui ler.Não quis saber muito do que se tratava o assunto anteriormente para ser mais surpreendente!
    Bem, 250 páginas depois,considerando que o livro tem 500 páginas,deu pra saber do que se tratava! Se tratava de uma grande palhaçada onde o palhaço era eu.
    Não havia tema controverso nenhum.
    Pelo que diziam se tratava de algo tão inovador…Ah! Por favor! Ninguém nunca ouviu falar de nenhumas daquelas práticas?! Milhões de filmes Hollywoodyanos já trataram disso.
    Segundo, a garota tinha vinte e poucos anos!Pra mim a protagonista era no mínimo uma mulher,não uma menina iniciando sua vida sexual com um bilionário inacreditável, inadmissível,inverossímel…com aquelas idiotices todas…
    Confesso que tentei! Muito difícil por pior que seja o livro que eu não termine a leitura…Mas travei na 250,não deu,não consegui…Admito que perdi.(P.Moska).
    Então,com minha cabeça pensante, comecei a refletir,sobre os tempos de minha infância,nasci em 1973,em que nossas mães escondiam exemplares da considerada subliteratura de banca de jornal como, Júlias,Julianas, Lucianas,Vivians, Márcias e afins e contrabandeavam com as vizinhas…
    Comparando a 50 Tons aquilo era literatura de primeira categoria! Bem que dizem que quem ri por último…

  57. Anides permalink
    20 de fevereiro de 2013 8:59 pm

    Adorei o texto!

  58. Emerson permalink
    24 de março de 2013 1:03 pm

    Márcia, maravilhosa, sou filósofo e seu fã desde que a vi ao vivo na CPFL Campinas. Depois, sempre que posso, me atualizo sobre você. Lendo seu artigo lembrei de Sócrates e do papel do filósofo: “sou a mosca de Atenas”. Acredito que um dos papéis dos filósofos é mesmo incomodar, promover a reflexão, questionar as coisas postas, e nesse sentido sempre temos que optar entre ficar mudos (o que fazemos a maior parte do tempo, geralmente para não desagradar) ou sofrer as retaliações, assim como quando falamos de política ou religião – ou de livros. Quando falo para meus alunos sobre os mitos e religião logo após recebo santinhos, dvd’s evangélicos e folders de econtros religiosos. O que as pessoas fazem é não refletir, mas apegar-se às suas crenças e tentar nos converter… Pior para elas. Faz parte de nosso trabalho.

  59. marilise permalink
    10 de julho de 2013 7:20 pm

    Não lí, e pelo que ouço de quem leu não quero chegar nem perto…mas entro nas livrarias e lá está o dito cujo, bem na frente da porta, se insinuando e todos entrando para compra-lo….”vida de gado”….minha cunhada que nunca tinha lido nada na vida comprou e leu! Será que posso dizer ” menos mal, pelo menos ela está lendo”?!?!?

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