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Multidão

21 de junho de 2013

Sabendo que o Facebook bloqueou a minha página, gostaria de protestar pela liberdade de pensar e dizer sem a qual não existe democracia. O post abaixo surge em nome do  desejo de diálogo que está na base de todo desejo de democracia.

Multidão

 

A perplexidade das pessoas diante dos acontecimentos em nosso país tornou-se um sentimento comum, no entanto não parece ser o afeto que unifica a multiplicidade de forças que estão em jogo. A perplexidade de quem nunca viu coisa parecida é menor do que o desejo geral de democracia que, no entanto,  parece estabelecer um curioso estado de sítio no cotidiano atual. Alguns se mostram assustados, outros cansados, outros animados, mas ninguém pensa que é preciso recuar. Um outro poder foi descoberto e ele, que para muitos é alegre e convidativo, aguerrido e corajogo, para outros causa medo e estranheza.

Talvez que este medo venha do fato de que estejamos sitiados por nós mesmos, por um desejo de mudança que se faz, de repente, urgente agora, para aos poucos voltar-se ao que é essencial e que requer mais trabalho, outros diálogos (afinal diálogos), uma reconstrução da sociedade brasileira em novos termos políticos e econômicos. É preciso pensar no que há de vir, pois a irrupção deste desejo democrático não nos fará os mesmos por mais que, ao fim e ao cabo, seja possível que tudo fique mais calmo.

 

Quem tinha lido o belo livro de Micheal Hardt e Antonio Negri chamado “Multidão” (publicado em 2005 pela Record) quando os protestos começaram não deve ter estranhado tanto. O livro de Hardt e Negri fala dessa nova formação política e democrática que não é a simples massa, nem o mero povo, figuras mais conhecidas da velha teoria política acostumada a explicar o mundo em termos de soberania (ou seja, de quem detém o poder). O que o livro vem explicar é a existência da “singulalidade” no contexto da multiplicidade, como se todo mundo e cada um fosse soberano em si mesmo. Na multidão cada um continua sendo “singular” e ao mesmo tempo “partilha” algo de comum. Os laços democráticos implicam a construção do “comum”. Quem inventou as redes sociais (e até o facebook que se mostra tantas vezes fascistóide) não podia imaginar que ele poderia ser usado contra os jogos de poder que só funcionam sob violência simbólica e submissão. Acabou a submissão e a violência apareceu como sintoma de uma sociedade de violência muito mais profunda.

 

Penso que nestes últimos dias a face morta do poder político mostrou a sua cara na queda da máscara do cinismo que até agora nos governou. Um círculo cínico foi rompido por aqueles que, na qualidade de otários, cansaram de um papel que não elegeram para si. A polícia foi e é o retrato da falência do poder, assim com qualquer violência que se antepõe a qualquer diálogo. A imprensa, depois de muitas cirurgias plásticas  tenta adequar-se com cuidado ao novo corpo social para não sair perdendo de vez o seu assegurado lugar no círculo cínico da ordem dominante. Renovar a máscara será difícil na era das redes abertas e da democracia sem limites.

Alguns anos atrás, mais precisamente em 2008, escrevi um livrinho chamado “Filosofia em Comum”. O conceito de comum que eu visava dizia respeito ao que está “entre nós” e que só pode ser construído pelo diálogo.

O diálogo é a grande contribuição da filosofia para nosso tempo.

E eu espero que criemos espaço para o diálogo, pois o diálogo é o que nos recria, nos torna lúcidos, abertos, humanos, comunitários. O diálogo está para o comum, como o desejo de democracia está para a multidão.

Eu, que apesar de todos os pesares, me emociono e me estarreço com o que vejo, sabendo que estamos mergulhados no mar dos afetos, espero que façamos da nossa razão o mais potente dos afetos.

O diálogo é o meio livre de violência para o qual precisamos criar espaço se quisermos um outro mundo melhor do que esse que conhecemos até aqui.

 * Num mundo melhor a imbecilidade de uma ideia como a da cura gay se curará com um beijo:

Banksy

Banksy

 

 

 

16 Comentários leave one →
  1. Marcos Breda permalink
    21 de junho de 2013 10:04 pm

    Muito, muito bom…

  2. 21 de junho de 2013 10:28 pm

    Perfeito, Márcia. Desde o início deste turbilhão democrático eu tento usar o diálogo como a minha meta principal. Tentando esclarecer e ser imparcial. Agredido por ambos opositores (direita/esquerda), só me deixa mais decidido a continuar tentando. Adoro o diálogo, adoro a discussão. E ninguém tira isso de mim.

  3. 21 de junho de 2013 10:31 pm

    Gostei muito, o diálogo é a alma do entendimento e a possibilidade do afeto. Abraços

  4. 21 de junho de 2013 10:32 pm

    Ótima análise… O Iluminismo do século 18 tem sua valia. Abaixo, um texto de reflexão… Escrevi faz dias, e desculpe-me pela obviedade do mesmo e eventualmente pelos erros de conceito.

    O MEU POVO ESTÁ ERRADO

    Este é um texto muito longo e provavelmente você não concordará com ele. Leia por sua conta e risco.

    Se decidir ler, não me odeie. Odeie as ideias se desejar… Melhor ainda será se não gostar mas confrontá-las com bons argumentos. Xingamentos não são bons argumentos.

    Pegue um café, respire fundo e boa sorte!

    O que todo mundo quer? Dinheiro.

    Com dinheiro poderão comprar as coisas que desejam, poderão viajar, trabalhar menos, pagar a educação e a saúde que o estado não dá, assistir filmes, fazer aula de aeróbica, violão, etc etc etc.

    Todo mundo quer ganhar mais. Pagar menos imposto é um caminho, então lutamos para diminuir os impostos (da nação que mais cobra imposto do mundo).

    É assim o capitalismo (e dizem que é o menos pior dos sistema). O socialismo e a anarquia estão fora de cogitação. A monarquia ao pé da letra seria um retorno à ditadura, e ambos pecam pela falta de liberdade.

    Voltemos. Todos querem dinheiro, mas a quantidade de dinheiro não diz nada. O importante é a diferença entre os que tem mais em relação aos que tem menos. É isso que controla o preço de cada coisa.

    Não adianta eu ter um aumento de 100% se os preços em média subirem 150%, e isso é obvio. Da mesma forma, e não tão obvio assim, não adianta eu receber um aumento de 100% se todas as outras pessoas receberam um aumento de 150%.

    Pense um pouco e perceberá que os dois exemplos são similares e o resultado é o mesmo.

    Se você não consegue entender essa ideia, vá fazer outra coisa e não perca o seu tempo lendo este texto enfadonho.

    Os aumentos de salário, impostos, transporte e todo o resto por si só não tem importância. O que é importante é a relação entre as coisas. Não aumentar a passagem de ônibus (ignorando no exemplo à corrupção, desvios, custo Brasil, etc.) está apenas e tão somente diminuindo a quantidade e qualidade do transporte público em relação a todos os outros serviços de responsabilidade do estado (levando-se em conta o sistema atual). É menos dinheiro para se investir no transporte. Com isso, tem mais para investir em outras coisas, como educação por exemplo.

    Ou seja, lutar pelo não aumento da passagem de ônibus é lutar pelo aumento do custo da saúde, educação, etc.

    Lembro que estamos imaginando um país sem custo Brasil e sem corrupção, ou seja, um país onde todo o dinheiro pago ao estado volta para seu povo de alguma forma.

    “Mas até o meu cachorro sabe que essa revolução toda não é por causa dos 20 centavos!”

    Ok, também já entendi isso.

    Como todo mundo sabe, os 20 centavos foi (ou foram?) a “gota d’água” que faltava e que transbordou o copo. Agora que o povo foi às ruas e os “jovens meninos controladores das comunidades organizadoras dos protestos” (JMCCOP) sentiram o seu poder, a lógica é que os protestos contra todo o resto se perpetuem nos próximos dias (e meses). Vamos PARAR o Brasil! Eba!

    A lista das “tarefas” já está mais ou menos organizada segundo a voz de pessoas pensantes (e outras nem tanto). Seguirá então na PEC 37 (que até bem pouco tempo
    ninguém sabia o que era), o gasto público com a Copa do Mundo e Olimpíadas, a corrupção estatal generalizada (a privada ninguém se lembra), a Globo (com o seu “controle mental”, simbolizando a mídia em geral), a cassação e/ou escárnio público de alguns políticos condenados no mensalão (e outros com um passado notadamente condenável, incluindo a presidente Dilma e seu antecessor), além de outros itens menos tangíveis (intangíveis no sentido que NINGUÉM ter uma solução): educação, saúde e segurança.

    É preciso separar cada um desses itens para discuti-los. Não farei isso, fique tranquilo. Vou agrupá-los. Existem outros itens não citados por mim e sempre haverão mais e mais itens. A coisa toda é bem complexa.

    A PEC 37, a caça aos políticos e a corrupção têm uma relação íntima. O brasileiro não quer mais ser enganado (em outras palavras, não quer que outras usem o seu dinheiro para coisas que não lhe trarão benefício próprio). Tenho ciência que MUITOS brasileiros não se incomodariam em receber dinheiro sem mérito. É como o corintiano que até outro dia estava tirando sarro pelo “seu estádio” ter sido pago com o dinheiro de todos os brasileiros, mas agora foi pra rua para mostrar a sua indignação e a sua cidadania. Nem todos os corintianos pensam assim (comento sobre a generalização que fiz no final do texto), mas MUITOS me jogaram isso na cara. Ser palmeirense hoje em dia, apesar de sua bela história, não é fácil.

    Em resumo, o povo quer dinheiro. Quer respeito também – não quer ser enganado – mas acima de tudo quer dinheiro. Nas minhas palavras, quer que a relação daquilo que ele tem em relação ao que outras pessoas tem aumente (pois como eu expliquei, se todos ganharem mais, tudo ficará mais caro para manter a balança equilibrada, então ele não terá mais na prática, apenas na teoria).

    Em relação à saúde, educação e segurança é a mesma coisa. Quer pagar menos (ou não pagar) para ter tudo isso a um custo baixo (o custo são os impostos que ele paga de forma direta e indireta).

    Sem ter que pagar por esses itens (ou pagando menos), e tendo eles qualidade, sobrará mais dinheiro para outras coisas, como por exemplo a compra de uma TV com 250 polegadas, que será jogada no lixo daqui a 3 anos quando apresentar defeito. Aí ele vai comprar uma outra, maior e mais cara.

    Como manter o equilíbrio desse jeito? Estamos criando uma nova classe alta! Quem vai trabalhar? Quem vai girar a economia? Quem vai pagar todo este luxo?

    E veja, se tem alguém comprando uma TV com 250 polegadas mas não existem tantas TVs com 250 polegadas sendo vendidas é porque esta pessoa está, proporcionalmente, acima de outro que não pode pagar esta mesma TV. Da mesma forma, não existem tantos quartos em hotéis 5 estrelas no Brasil, e penso que existe um limite de caviar, de roupas, de tudo… E com mais dinheiro, as pessoas vão trabalhar menos, então menos coisas ainda vão ter.

    Então eu reformulo o meu resumo: O povo não quer deixar de ser enganado. O povo quer é ser mais “esperto”! Isso é completamente diferente, mas ainda não é a minha conclusão final, e eu sei que este texto está imenso. Desculpe. Vamos à Globo.

    Li hoje no facebook coisas do tipo “A Globo mostra as pichações, os incêndios nos carros, o vandalismo e o depredamento do espaço público! Não deveria mostrar isso! Deveria mostrar as manifestações pacíficas!”

    Mas ela mostrou! Assim como o SBT, a Band e todos os meios de comunicação. Passei horas assistindo a Globo News e era impressionante a quantidade de vezes que eles comentaram que a violência partia de uma minoria. Não estou defendendo a Globo, mas vi repórteres da emissora sendo agredidos verbalmente, com medo. São pessoas, profissionais assim como eu, como você!

    Eu não gosto da Globo! Aliás, eu odeio a Globo! Ela manipula o tempo todo, mostra valores que eu considero errados em horário nobre e me faz sentir um idiota!

    Mas tem coisas boas na Globo também. Assim como existem bons políticos. Li hoje no facebook um post de um dos JMCCOP dizendo que queria entrar no congresso armado até o dentes e que só não fazia isso porque não tinha condições e tinha um pouco de medo.

    E nas comunidades da polícia no facebook, que poucos seguem, vi fotos e explicações bem convincentes que demonstravam (e provavam) que existe algumas pessoas no movimento que tentam enganar seus seguidores sugerindo agressão policial sem motivo onde não existiu. Não estou dizendo que não teve excesso policial, lógico que teve! Apenas estou dizendo que alguns do JMCCOP TAMBÉM estão te enganando.

    Mais exemplos do cerceamento de informação “do outro lado”?

    Hoje uma série de sites e perfis foram invadidos por um (ou mais) grupos de hackers. Isso é um crime, e a justificativa – por melhor que seja – não justifica um crime. Eu mesmo fui bloqueado em uma dessas comunidades por ser uma voz dissonante em meio a tanta aprovação impensada de pessoas apaixonadas por uma causa que ficaram imunes à razão por conta dessa paixão. Eu não ofendi ninguém, apenas escrevi o que eu estava pensando com todo o cuidado do mundo (pois sei que existem pessoas violentas e eu prezo pela minha vida pois qualquer um pode me achar pelas informações que tenho no meu facebook, então é melhor eu ter cuidado. O que para mim é uma discussão sadia, para outro pode ser uma ofensa mortal).

    Vi comentários de alguns desses JMCCOP jogando fora as leis que regem o nosso país sob a argumentação que não foram eles que as criaram e por isso não tem que segui-las. Escreveram que essas leis só servem para os ricos se darem bem.

    Não tenho conhecimento para analisar a qualidade da nossa constituição e sei que a lei, via de regra, favorece àqueles que podem pagar bons advogados, mas sei também que sem a constituição estaríamos numa anarquia e neste caso quem pode mais são os mais armados. Eu não tenho arma em casa e como já citei, prezo demais pela minha vida e pela vida das pessoas que eu amo.

    Muito desse sentimento de “paixão” pela causa foi vendido e quase todo mundo comprou sem se questionar o principal: O que eu quero e quais são as alternativas que esse pessoal está me dando?

    Radicalizando:

    Vamos destruir a Globo. Vamos prender (ou matar!) todos os corruptos. Vamos rasgar a nossa constituição. Vamos diminuir todos os impostos em 70%!

    Feito isso, o que sobrar vai dar para pagar a ESTRUTURA DE CONTROLE desse dinheiro que será investido integralmente na educação, saúde, segurança (vamos precisar!) e bolsas família? Não teremos políticos nem administradores (pois são todos corruptos!). Quem vai controlar isso tudo são os JMCCOP pelo que eu entendi. (Isso foi uma piada).

    É isso mesmo? Será que ninguém pensou nisso?

    Não! Vão me dizer.

    “O Brasil acordou”. “O povo brasileiro levantou do seu berço esplêndido e foi à luta!” (Pessoal bem criativo, não nego).

    Interessante é que esses JMCCOP não estudam, não trabalham (ou faltaram na última semana pois ficaram todo esse tempo no facebook) e não sei se são capazes de se lembrar que o hino nacional continua com “nem teme que te adora a própria morte!”

    Só que não é só a vida deles em jogo, mas também daqueles que foram incitados pelas suas palavras de ordem. Felizmente entre eles existe uma parcela que tem consciência do poder de suas palavras e se lembrou de pregar a paz nas manifestações. Felizmente tem a mídia, que também estava lá para lembrá-los.

    Felizmente existe um controle, ainda que porco, para que não tivesse acontecido hoje uma carnificina sem igual no Brasil.

    Não sou contra as manifestações nem contra os seus objetivos, mas me incomoda MUITO a total falta de informação quanto ao “depois”. Quais as suas alternativas? O que vamos fazer com a copa do mundo e com a olimpíada? Vamos parar tudo? Vamos pedir desculpas ao mundo e “passar”?

    É um ato de brasilidade extremo, mas não vejo isso acontecendo. Não se pode pegar a bola e voltar pra casa só porque chegou a nossa vez de ficar no gol, o combinado não é caro (apesar de ter sido).

    Vamos então controlar o dinheiro que será gasto na copa e olimpíadas a partir de agora, mas como? O Corinthians não vai devolver seus “incentivos fiscais”. As empreiteiras estão com seus contratos fechados. A maior parte do dinheiro já foi e não voltará.

    Quanto a parte das estruturas, daria tempo… Mas o que essa revolução vai ajudar? A única forma seria que todo o brasileiro, como num passe de mágica, do mais simples ao mais poderoso, criasse ASCO de ser corrupto.

    E é esse o ponto. O povo foi à rua por dinheiro mas ainda não fez uma auto-crítica em relação à sua própria moral. O brasileiro não tem vergonha de passar a perna no outro, pelo contrário! Ele se sente muito bem quando leva vantagem em relação ao outro. Até as casas BAHIA usam isso como argumento de venda e convencimento: “Compre aqui e saia com a sensação que pagou menos do que todo mundo!”

    O brasileiro (por mais que as manifestações queiram mostrar o contrário) foi criado num país em que ser “esperto” é a melhor forma de se dar bem, de ser feliz, de ter dinheiro. Esses são os seus valores. Não é culpa dele (do povo), isso lhe foi imposto pelos exemplos do dia-a-dia. É uma bola de neve, que só aumenta com o tempo.

    Finalizando (prometo!)

    Eu usei muitas generalizações neste texto (inclusive no título). Eu não gosto disso e peço desculpas. Existem exceções no “povo”, nos “JMCCOP”, no “corintianos” e principalmente nas idéias. Eu não quis explicar isso e cada citação, por isso explico aqui de forma genérica.

    Não sou contra o movimento. Não acho que é tempo perdido. Não acho que vai dar em “nada”. Penso que é um exercício de cidadania importantíssimo, principalmente para os mais jovens. Acredito mesmo que a classe política verá a partir de agora os jovens e seu poder de outra forma e isso é benéfico. Acredito que o movimento conseguirá melhorar muitas coisas NA PRÁTICA e não só na TEORIA. Só que não sejamos hipócritas. Todos estão seguindo a cartilha do capitalismo, buscando o “vil metal” e ninguém está verdadeiramente reconhecendo como é vergonhoso morar no país do “jeitinho”, em que todo mundo desconfia de todo mundo pois muito provavelmente será passado pra trás se “bobear”.

    Todo mundo generaliza os políticos e a mídia, e a maioria faria exatamente a mesma coisa se estivessem no lugar deles.

    Aí que eu verdadeiramente comparo o Brasil com o Japão. Lá, ser antiético é motivo de vergonha. Políticos corruptos se matam. Dívida não paga é sinal de constrangimento perante a si mesmo e perante sua família. Lá, os professores são os únicos que não se curvam diante de seus imperadores.

    Sendo radical do jeito que fui neste texto, eu realmente acreditaria mais neste movimento se esquecessem a Globo, a Copa, a corrupção, o preço da passagem de ônibus e lutassem pela EDUCAÇÃO em todos os níveis como prioridade máxima em todas as esferas. O Japão fez isso depois da segunda guerra mundial em que foi arrasado e você conhece o resultado.

    Só assim, depois de alguns anos, talvez décadas, veremos a corrupção acabar, o preço das coisas mais justos, a saúde melhorar e nem será necessário gastar tanto assim com segurança, pois não haverá mais tantos marginais nas ruas.

    Sem isso, o que veremos no futuro é uma sucessão de corruptos alternando o poder numa pátria constituída por um povo corrupto que visa ter mais em detrimento aos seus iguais.

    Só a educação descorruptirá o Brasil. Não adianta remediar, tem que atuar na causa. Não existem opções pois o povo é corrupto. Descorruptiremos o povo! A base!

    São estes os nossos representantes atuais, não são? Natural que eles sejam como a gente. Natural que sejamos como eles.

    #byLupo

    • Fabio permalink
      26 de junho de 2013 1:00 pm

      Belo texto .Talvez não concorde com o final sobre a educação. Eu diria como Nietszche Deus morreu e agora este fato não será demasiado para nós? Sua critica ao Iluminismo, que decreta a morte de deus como uma ideologia que serviu de um motor para históriaque passou agora para o dinheiro, e isto em si não gera uma sociedade niilista(hedonista, egoísta,auto destrutiva)? Quem sabe uma nova ideologia não seria necessaria?Algo como o Além do homem?

      • 26 de junho de 2013 8:50 pm

        Olá Fábio!

        Antes de mais nada, obrigado por ter lido o meu texto, que é longo.

        Sua colocação da crítica ao Iluminismo me surpreendeu, até porque sou um tanto liberal e acredito muito no diálogo, na razão e no conflito de opinião para crescimento mútuo. Não sou estudante de filosofia, então muitas vezes as pessoas encontram relações (pró e contrárias) de pensamento entre o que eu escrevo e o de filósofos que me surpreendem. Confesso que isso agrada o meu ego.

        Eu penso que da forma que estamos a tendência – capitalista – é a destruição. Logo estaremos calculando o valor de uma vida, e não penso que será tão cara. Vamos ser positivos: o ser-humano costuma se adaptar. Uma nova ideologia é um bom caminho, mas qual?

        Talvez a Márcia nos dê alguma luz. =)

        Abraços e obrigado novamente.

  5. Carla Nagel permalink
    22 de junho de 2013 11:28 am

    sua linda!

  6. Ticiana permalink
    22 de junho de 2013 2:38 pm

    Reflexão profícua.

  7. ReginaldoPortoAlegre permalink
    22 de junho de 2013 7:40 pm

    só por curiosidade: vc saiu da mídia por opção?

    • 22 de junho de 2013 8:37 pm

      Eu nunca estive nela (isso pode ser só uma frase de efeito, mas do modo como entendo “mídia” ela faz sentido. Mas creio que vc fala sobre a TV. Na verdade, eu acho que a TV como é é muito ruim, mas podemos fazer melhor. No meu livro sobre TV (o que me deu ânimo de fazer TV em certa época) chamado Olho de Vidro – a televisão e o estado de exceção da imagem (Record, 2011), eu falo que é preciso tomar os meios de produção televisivo e fazer a Tv que quisermos. Mas creio que entendemos TV de um jeito muito ordinário, com pouca reflexão sobre os seus potenciais. Creio que o mecanismo está mal utilizado, assim como o meio da literatura e do livro, do cinema, das artes em geral. A TV é um mecanismo fácil que fica na mão de quem tem poder e dinheiro, mas pode ser um meio democrático. E é provável que, agora, depois de muito pensar, eu crie um novo programa de TV, só de filosofia, para um canal bem livre…

  8. 22 de junho de 2013 8:53 pm

    como assim bloquearam??? pode isso????

  9. Roberta Weing permalink
    22 de junho de 2013 10:49 pm

    Maravilha! Como sempre Márcia…

  10. Luciano Lima permalink
    23 de junho de 2013 3:37 am

    Escárnio

    Aqueles que deviam liderar, escarnecem
    Arrotam grosso
    Assemelham-se ao homem que levou fora da mulher
    A chamam de puta e a culpam por sua vergonha
    Distorcem. Lamentam
    Abandonam uma juventude e torcem pelas balas de borracha
    A mesma que os machucou no passado
    A mulher não tem culpa.
    O mundo não é errado
    Nós somos.

  11. 23 de junho de 2013 2:56 pm

    escreve aqui que te ajudamos a repercutir. _,,,/

  12. Wilson Sorghon permalink
    24 de junho de 2013 1:43 am

    O povo não é apenas uma vítima da violência simbólica e por conta disso um ator perplexo que acordou dizendo basta. É também um impositor dessa violência em níveis de múltiplas escalas. Níveis semelhantes aos das pirâmides financeiras, as quais duram por um determinado tempo mas sucumbem, agraciando os topistas e penalizando a base.
    Surgem de uma vontade coletiva inconsciente ou não de perpetuar essa violência. Os perdedores da base protestam, vão às ruas, mas quando têm a oportunidade se tornam os novos egoístas violentos.
    O culto ao ego é a principal arma dessa violência. O capitalismo o usa como combustível e nós, o povo, somos vulneráveis.
    A violência já não é mais obra simplesmente do Estado. Nós, o povo, que “podemos” ficar ricos com uma Ideia fantástica, um bilhete da mega sena premiado, um contrato com o Barcelona, uma rebolada de minissaia na faculdade, passamos para níveis superiores e jogamos o “sabonete da consciência limpa” para os que ficam na lama: “Eu apoio o movimento!”
    A natureza do capitalismo precisa dos oprimidos. Precisa da base da pirâmide, mesmo dizendo que todos podem ganhar, que todos podem viver dignamente. Isso é ilusão.
    Infelizmente o capitalismo é um mau simbiótico com a nossa própria natureza.
    Fazemos passeatas mas depois vamos pra casa tomar nosso banho quentinho, acessamos a Internet pra ver o que tá “rolando”. A base “basilar”, essa vai sempre sofrer e sempre existir. É o Hades!
    Em poucos meses tudo volta ao normal. Mas o Hades continuará queimando para gerar energia para o sistema, até quem sabe um dia chegar ao topo.
    E o pessoal do topo nos dará um certo alívio para que continuemos a comprar, ter esperanças e acreditar no “sonho americano”.
    Um ciclo quase constante, infinito e maldito que tem oscilações chamadas de movimentos populares(vide Congo, Costa do Marfim, etc)
    Infelizmente é verdade mas se for interessante ao mercado/capitalismo as mulheres se emancipam, o negros têm maior participação na classe média, os homossexuais não são mais perturbados , a violência se perpetua para aumentar as vendas de condomínios fechados, as escolas públicas são sucateadas para dar lucro às particulares, o shoppings são construídos em detrimento das áreas públicas de lazer, os cartéis do transporte rodoviário impedem o desenvolvimento da malha ferroviária e assim tudo caminha, com apoio da classe política que somos nós mesmos, filhos da República.
    As passeatas podem se tornar vazias ao longo do tempo. São importantes como alertas à nossa consciência. Mas a verdadeira revolução só pode ser feita com o bem ao próximo.. Cada vez que fazemos o bem damos um soco no nosso egoísmo, o verdadeiro opressor e agente de todo o tipo de violência.
    (óu não!)

  13. Jéssica permalink
    15 de setembro de 2013 9:21 am

    Márcia, estive ontem em sua palestra em araçatuba, que prazer em poder ouvi-la e mergulhar no P* conhecimento que tu passa…
    Espero pode estar num próximo evento seu. E já que abre espaço pro dialogo…
    Bom te ver!

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