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O manto é jogo

1 de outubro de 2013
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  1. É para tornar claro o meu intento e a experiência pela qual passei que me lanço à construção deste prólogo. Uma explicação, o mapa inteiro em que cada linha explica o caminho a seguir, em que palavras adequadas são escolhidas uma a uma como feijão na bacia, frase a frase, para não exagerar, não mentir, nem evitar dizer o que se passou por medo de simplesmente dar forma incomunicável à incomunicabilidade. É o contrário o que espero, mesmo não sendo possível escapar ao enredamento das palavras, instrumentos de feitiço, assim como à confusão do começo. Não espero, com isto, criar qualquer desentendimento que impeça a compreensão do material que, na forma de texto, agora dou à leitura. Li em algum lugar que o melhor prólogo é o que tem menos coisas, ou o que diz de um jeito obscuro e truncado. Infelizmente não poderei sustentar o primeiro critério sem o segundo, as poucas coisas aqui aparecem como muitas ou as muitas como poucas, o que assegura o segundo critério aplicado ao primeiro.  Espero, na verdade, não corresponder nem a um nem a outro; # tenho em mente apenas o perdão do leitor caso busque no que lê a confirmação de algum critério. Se houver qualquer expectativa sobre o que virá a seguir, é muito mais a que possuo em relação ao que pode ser lido, do que jamais poderia ser quanto ao que deveria ser escrito. O escrito não é o que parece, é mera cena inexorável, móbile; a leitura é, contudo, plena do possível, como apertar um botão, rasgar um pano de algodão. Por isso, dei-me a essas letras, não que queira dizer qualquer coisa, dar-me-ia também à plantação de aspargos que crescem rápido, ou à pintura de paredes caso se tratasse de pôr os muros em ordem para a pichação que cedo lhes convém, não que pretenda um saber, mais que isso, uma justificativa que se abra como uma gaveta vazia, mas porque não há outro jeito como não há chave para um presidiário, nem pernas verdadeiras para um aleijado. Na falta da chave e das pernas, ponho uma ao lado da outra e espero a pura necessidade de explicação, pura como água destilada. Não sei dizer se uma necessidade valeria como universal e, deste modo, seria critério, só o que tenho, não o critério, é a necessidade que, suficiente, dá muito trabalho. Meu único compromisso é a explicação à qual realmente desejo encontrar tanto quanto me for permitido. Meu limite é o que recebi como herança. Lamento ter que dizer a mim mesma que, se for por isso, não terei passagem para muito longe.
3 Comentários leave one →
  1. 1 de outubro de 2013 10:36 am

    Republicou isso em coração filosofante.

  2. 1 de outubro de 2013 3:09 pm

    Márcia…
    Antes de ler esta sua postagem imaginava-me uma pessoa mediocre! Se bem que tudo depende do referencial… Então, quem sabe comparando-me com outros tantos brasileiros não acostumados a ir além da leitura. Sim! Porque, ler é algo relativamente fácil, talvez a maioria consiga… Mas, pensar!Pensar é que são elas! Mas, sempre procuro refletir, criar algumas conexões, além de ler- bem verdade, aos “trancos e barrancos”- A questão é que não consegui ler a postagem, acredita? Ler… Pensar depois… Um dia… Não deu para separar leitura de reflexão, o que me forçou a várias paradas. Ter que reler, quase não me ocorre… Quando algo precisa ser revisto é muito bom, no mínimo serve de exercício a “anta de molas” que lê. E o melhor: não sou medíocre!Por certo estou abaixo da média! O que pode ser libertador! Aproveito para dizer que AMEI o seu artigo sobre os novos caipiras, a elite Jeca! Publiquei no meu Blog, aliás, o pessoal que o frequenta está lendo você. Tornou-se uma condição para que continuem frequentando.
    Abraços.
    Patrícia

    • 2 de outubro de 2013 7:23 pm

      Patrícia, diante de uma mensagem tão curiosa, fiquei pensando o que vc quis dizer com “medíocre”. Esse meu livro é o meu livro mais complicado. Complexo: artimanhoso, matemático, vertiginoso. Penso que ele tem alguns poderes (aqueles literários, os de sempre) de intervir em nossa sensibilidade. Obrigada pela atenção real, é o que de melhor temos para dar uns aos outros.

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