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“Por que o senhor atirou em mim?”

30 de outubro de 2013

“Por que o senhor atirou em mim?”

Em memória de Douglas Rodrigues, 17 anos, assassinado por um PM em 27 de outubro de 2013

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É muito importante fazer uma análise da violência atual, mas isso não trará Douglas Rodrigues de volta. A impotência das análises serve, no entanto, à violência. E alimenta o senso comum.

Sabemos que vários outros jovens vem sendo mortos pela Polícia Militar e isso é, por incrível que pareça – por mais estarrecedor que pareça – uma explicação total do que vivemos em nosso país. Para o bom leitor não é preciso nem meia palavra. A pergunta feita por Douglas quando tomou o tiro no peito que o levou à morte é estarrecedora porque já está respondida e ela põe em cena a nossa falência como sociedade.

No entanto, não creio que ideia de que temos o governo que merecemos explique o que estamos vivendo. Nós merecemos mais, merecemos algo melhor. Como Douglas merecia. Eu penso nos pais de Douglas, em seu irmão. Em seus colegas e penso que não merecemos isso. Que Douglas merecia um futuro bom. Li que um motorista de caminhão incomodou-se com a manifestação em nome de Douglas, que incomodou-se com os caminhões queimados, com a interrupção da rodovia Fernão Dias no dia seguinte à morte de Douglas. Pensei que aquele que não tem capacidade de colocar-se no lugar dos outros, que não consegue imaginar o sofrimento alheio, é alguém que precisa rever seus conceitos. É claro que não desejamos sofrer as consequências diretas das dores alheias, mas não se trata de uma dor alheia. E vivemos neste país, todas as consequências da ditadura cínica que nos quer arrebentar a cada um que não concorde com ela. Que país é esse? O país onde Douglas Rodrigues de 17 anos foi morto à queima roupa por um PM.

Neste sentido, cito o senhor taxista com quem conversei ontem. Ele perguntava mais ou menos assim: por que o governador Alckmim se pronunciou –  estarrecido e todo dominador – contra o espancamento do coronel dia desses e por que o mesmo governador não pronunciou-se quando do assassinato do menino?

Douglas Rodrigues foi assassinado pelo soldado Luciano Pinheiro. Luciano Pinheiro, quem será? Não o conhecemos. Poderíamos saber o que pensa? Como se sente? Por que fez o que fez? É muito difícil colocar-se no lugar dele. Não é tão difícil colocar-se no lugar de Douglas. Lembro dos mortos vivos que, nos filmes, tiram a vida de outro sem explicação. Não gostaria de reduzir a interpretação social dos fatos, mas PMs e  governador atuam como mortos vivos. O governador representa-se como a figura abjeta que, como um conde drácula, governa esse estado de coisas, esse reino do mal estar, esse império do ódio em que não haverá justiça nem para vivos, nem para mortos. Por isso talvez a campanha “Fora Alckmin” seja toda movida por jovens que tem medo de uma figura dessas que representa o mal radical entre nós. Rei do império do ódio em que todos estão condenados à morte diariamente.

Mas eu não gostaria de escrever sobre a questão da violência com nenhum tipo de exagero retórico. Tenho visto muito exagero retórico e muita histeria por parte da televisão. A televisão que eu não assisto diariamente (não tenho tv em casa há anos, mas vejo tv por aí nas ruas) tem sido o principal aparelho de repressão e precisamos tomar cuidado com ela como sempre. Televisão é um meio de comunicação que deverá ser democratizado como qualquer outro. É para isso é que tem trabalhado a midia alternativa que sustenta a democracia no meio da atual ditadura cínica dos meios de comunicação fazendo a cabeça do povo com a retórica baixa e imbecilizante que usam. Praticam o pior tipo de violência simbólica, aquela que conserva o estado injusto contra as pessoas enquanto, ao mesmo tempo, seduz as pessoas.

Assim como temos que “ocupar” o governo temos que “ocupar” a televisão… Mas sem violência e com muito cuidado, por que o assassinato é, na nossa democracia cínica (uma ditadura cínica…), realmente distribuído para todos pelo governo.

***

O assunto da violência é muito complicado e no âmbito do senso comum é muito difícil falar dele. Tenho notado que as pessoas defendem certos tipos de violência mesmo quando querem combatê-la e que criticam a mesma violência que praticam ficando enroladas num círculo vicioso. Vejo que há uma propaganda contra a violência dos black blocs e não contra a violência dos policiais. Por que uma violência é permitida ou consentida e outra não? Será que podemos avaliar isso com cuidado? Outra questão: por que choca tanto  que os vidros dos bancos sejam quebrados e não choca tanto que professores sejam espancados? Estamos em uma sociedade que valoriza mesmo mais os vidros do que as pessoas?  Ou será que os meios de comunicação denominam “vândalos” um outro – e primeiro – para evitar que sejam chamados eles mesmos de “vândalos” pela violência que praticam com sua comunicação cheia de violência? O uso da expressão “vândalo” e “vandalismo” entre nós tem sido ridícula. Mas quem se dedica a pensar no que está realmente se passando? Onde está nosso discernimento?

A complexidade da violência atual, expressa no espancamento e assassinato que PMs tem dirigido à população a mando do Estado tem também combinado com o estranho “direito” que muitos praticam em particular. E não é só no governo e na PM. Tenho percebido pelo menos dois tipos de mentalidade discursarem no mundo cotidiano: 1 – uma que é a do fascista potencial que encontra nesse momento o seu ódio ao outro e seu desejo de humilhar realizado; 2 – o cidadão que busca ser razoável e olha para o nexo entre particular e universal, entre individuo e sociedade. Esse último ainda deseja um mundo melhor.

O que os outros realmente querem?  Douglas teve a resposta. Nós todos agora sabemos do que se trata.

Penso que tudo o que venhamos a dizer  só pode ser dito em nome de que a morte por assassinato de nosso jovens pela polícia não se repita.

Que Douglas não seja esquecido.

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24 Comentários leave one →
  1. 30 de outubro de 2013 11:51 am

    Muito triste o que aconteceu, belíssimo texto Márcia. Que possamos refletir e nos indignar o suficiente para impedir que outros inocentes morram. A vida humana deve ser respeitada.

  2. Monique permalink
    30 de outubro de 2013 12:02 pm

    Texto maravilhoso.
    Tudo que qualquer pessoa sensata deveria dizer nos dias atuais, mas as pessoas sempre pensam primeiro nelas, ao invés de pensar no que acontece ao seu redor.

  3. Thiago S. permalink
    30 de outubro de 2013 12:22 pm

    Assino embaixo por cada palavra escrita. A violência prática e simbólica deve ser discutida à exaustão. Douglas merece isso e todos que tem sua vida ceifada como ele por conta de um Estado sanguinolento. Parabéns, Márcia!

  4. Fabricia Maria Píccolo permalink
    30 de outubro de 2013 1:25 pm

    Concordo com tudo o que foi dito, mas aí te pergunto:
    Porque o pai de família, que estava trabalhando com o seu caminhão, que trabalha muito pra pagar sua suada e dolorida prestação todos os meses, tem que pagar pelo erro de uma polícia totalmente despreparada e hostil?
    E o sustento dessa família, virá de onde agora?
    A vida de Douglas vale mais que tudo isso!!!
    Não há nada que a trará de volta, infelizmente.
    Sinto demais por essa mãe. Podia ser o meu filho!
    Tenho ânsias de vômito só de pensar…
    Mas nessa manifestação, justa que fique claro, foi colocado em risco a vida de tantos outros Douglas e Amarildos…
    A violência vem se expandido de forma aterradora.
    Violência que vem gerando violência, que só tem gerado violência.
    Um círculo vicioso sem fim, onde nós, pessoas que lutam diariamente estamos expostos, seja por parte dessa vergonhosa corporação chamada PM ou de outros como nós revoltados com toda essa situação.

    • Regina Pinto permalink
      30 de outubro de 2013 10:54 pm

      Parabéns pela sensatez Fabrícia. Todos os extremos são perigosos e devemos acreditar que vivemos em um Estado democrático, que irá punir exemplarmente os culpados pelos Douglas e Amarildos. E você ainda tem toda minha admiração por também enxergar que existe o outro lado que sofre as (in)consequências das manifestações. Talvez a Marcia nunca tenha perdido uma consulta com o médico que levou 3 meses para marcar, porque não conseguiu chegar a cidade por conta da interdição do tráfego em função das manifestações. Talvez ela não tenha um filho matriculado em escola pública, que depois de quase 3 meses de greve dos professores, terá que ter reposição de aulas (se tiver) depois do horário normal de aulas, aos sábados e quem sabe até o mês de janeiro (o que duvido que aconteça), sem contar aqueles que aguardavam ansiosos pelo Enem e não puderam aprimorar seus estudos antes de fazerem as provas. Talvez também não tenha avô, avó, pai ou mãe que não entende nada de informática e depende, infelizmente, do maior símbolo do capitalismo, o banco físico funcionando para retirar sua aposentadoria que paga os medicamentos que necessita para sobreviver. É legal ter todos os abrigos de ônibus quebrados e você não saber onde tem que pegar determinada linha? É legal ter todas as lixeiras quebradas e ver a cidade transformada num grande amontoado de lixo? Desculpe, isso é burrice, Quem paga isso tudo novamente somos nós e os pais dos babacas dos black blocs (sim, os pais deles, porque com certeza esses fdps não trabalham para pagar imposto). Talvez a Marcia devesse procurar saber como acontecem as manifestações na França, Inglaterra, Canadá (só para citar algumas cidades civilizadas), então entenderia que o seu direito termina onde começa o meu.

  5. 30 de outubro de 2013 2:05 pm

    A vida humana perdeu o valor no Brasil, na própria Constituição o direito à vida está em mesmo pé de igualdade que os demais direitos, como se fosse um mero número e é em números que cada pessoa deste paí foi reduzida. A violência do crime organizado que cada vez domina mais estas terras, a impunidade, as leis brandas, os indultos irresponsáveis de presos que saem para matar somam-se à violência policial. Quando vemos um policial matando um bandido sentimos um falso senso de justiça, falso porque a justiça que esperamos das instituições não acontece e nos contentamos com as falsas justiças como a do assassino morto pelo próprio PCC. E o problema destas “falsas” justiças é justamente este, perder-se o controle, entrarmos num caos social onde a vida não vale nada. Este jovem foi morto sem explicação alguma e somou-se a mais números. A polícia que deveria defender os cidadãos está se tornando uma espécie de roleta russa descontrolada que atira primeiro e pergunta depois. No entanto, não podemos achar que a culpa deste caos social é apenas do Allkimin ou da polícia, é muito além disso. O nosso governo federal não apenas tem permitido, mas contribuído com a impunidade e a violência, Acho que nem mesmo na ditadura militar o Brasil presenciara atrocidades como estas que ocorrem todos os dias. Há mais mortes neste país do que em países do oriente médio que estão em guerra. Por isso eu me pergunto quando me deparo com monstruosidades como esta, onde a vida não passa de uma palavra sem sentido: Será que este país tem algum futuro? Duvido.

  6. Fernando permalink
    30 de outubro de 2013 2:48 pm

    Com todo respeito ao artigo e a familia da rapaz, o que se deseja eh a caça as bruxas. O policial jah foi condenado sem julgamento. E o principio do devido processo legal, e a presunção de inocência, onde fica. Quando eh o Pimenta Neves vai ate o Supremo, como se trata de um policial ja esta condenado. Não sou advogado do policial, nem sequer o conheço, mas existe um processo pendente do governo de SP sobre a forja taurus, que forneceu um numero grande de armas que disparam sozinhas, se não acredita vai no youtube. A condenação ou não do policial soh deve ocorrer depois de apurado todos os fatos.

    • Danilo Henrique permalink
      30 de outubro de 2013 5:11 pm

      Meu caro amigo, isso não interessa aos pseudo-intelectuais. A estes só convém colocar fogo na lenha

      O Douglas era um ser humano, o policial que o matou, não! Ao menos que fosse um “mascarado” linchando um coronel, aí portanto sua violência seria um “ato social”!

      O policial deve ser julgado antes, bem como todo e qualquer prisioneiro! Os “black block” não, a violência deles é democrática e justa!

      Já cansei de neste e noutros blogs, fazer comentários sobre a noção de esclarecimento, e como todo o sofrimento brasileiro consiste na falta deste!

      Parece que pensar sobre filosofia é o que estes “filósofos” menos fazem! Preferem disparar ideologias. São mais simples, estão na moda e rendem uns “likes” no facebook

      Certo dia, na semana de filosofia do Mackenzie, instituição em que estudo, fiquei sabendo que na palestra desta mesma Tiburi não compareceram muitos…(eu também não fui…rs)

      Bem, ideologias são bem vistas em certos meios, em outros meios, esta já não faz tanto efeito!

      Seria perda tempo refletir sobre Kant, Platão, Sócrates, Descartes, Nietzsche, Marx, Adorno ou qualquer outro filosofo de verdade!

      Confesso que vim ao blog para ver qual seria a nova pérola a ser disparada mediante aos acontecimentos desta semana!

      Mas me decepciono! Parece que todos os “intelectuais” se voltam contra o “main-stream”, apenas para não serem acusados de senso comum! Não existe reflexão, apenas ideologias, textos “bonitinhos”, reflexões unilaterais sobre igualdade, e outras groselhas tão manjadas que chegam a serem uníssonos em um discurso “si es gobierno, soy contra”. Fugindo do “main-stream” criaram um outro senso comum, mas este, é refinado, é “acadêmico”, cheio de diplomas e artigos!

      Sinceramente meu amigo, não perca seu tempo como eu, não caia nessa minha ânsia de vir aqui ver o que há de novo!

      Não tem nada de novo, além do mesmo e sua mesmisse!

      Acho que eu mesmo vou criar um blog,ou até mesmo um site (que permite melhor interação) para publicar o que penso…

      Talvez nem publique la algo que preste, mas só por ser uma bobagem nova talvez valha la alguma refutação ou comentário!

      Bem, é isso ae…

      Desista, isso aqui é como falar com plantas…pode ser terapêutico, mas nada provável que a planta te responda (e ainda mais improvável que pense!)

      • Regina Pinto permalink
        30 de outubro de 2013 11:04 pm

        Gostei Danilo!

      • 31 de outubro de 2013 11:35 pm

        Danilo,
        Tua pseudointelectualidade entra onde, ao vir aqui criticar um papel do bem, de alguém q se indigna diante de adontecimentos absurdos?!
        Como vc disse: concordo e acho muito válido – uma vez q democrático – vc criar um espaço para falar suas baboseiras, em vez de vir cuspi-las no espaço alheio.

  7. João Martins Bertaso permalink
    30 de outubro de 2013 2:52 pm

    Sensata reflexão, parabéns Márcia! Trata-se de um Estado estúpido, que perdeu a noção de seus limites. Estamos diante de práticas culturais que foram forjadas “além mar”, e que se naturalizaram desde o Brasil colônia.

  8. Jan Carlos permalink
    30 de outubro de 2013 4:03 pm

    Sua análise é bastante pertinente, acredito que temos que expressar nossa indignação com esse sistema de governar, mais ainda, com o sistema de conduzir o país sem saber bem pra onde, sem conhecer e ter alguém com competência suficiente para ajudar a administrar todos os setores de um Município, do Estado do Brasil, pois sabemos que é difícil fazer isso sozinho.
    Vou além, estes zumbis, mortos vivos, vampiros que sugam todo o sangue do povo e nos matam um pouco a cada dia que passa, sem sequer, ter a decência e consciência de que o povo está padecendo pelas mãos daqueles, que deveriam lutar com a finalidade de melhorar as condições, nas áreas da Educação, Saúde, Segurança entre outras coisas. Por um lado nos faltam pessoas mais críticas, pessoas que coloquem a boca no mundo, que de uma maneira ou de outra nos façamos ouvir e por outro lado esses moços que ninguém os obrigou a estarem onde estão, comecem a fazer as coisas de maneira correta, caso não o façam que sejam punidos de forma exemplar.
    São vidas que estão tirando todo os dias de forma indireta, com acordos escusos, propinas, licitações e por ai vai e outras tiram da forma como tiraram a desse menino, justamente por quem deveria dar segurança a população.
    Sou solidário a forma como vê toda essa situação, que na minha opinião não é única.

  9. Bia permalink
    30 de outubro de 2013 4:45 pm

    Bem, não pude me abster de comentar, não vou aqui tentar justificar a ação dos PM`S q n tem justificativa , porém a questão é mais complexa do que se imagina, tendo em vista que ao levar em consideração as palavras do grande sociólogo Emile Durkheim quando afirmou no início do século passado que: “o crime é um fato normal em qualquer sociedade”. Apesar de óbvia, a afirmação costuma chocar as pessoas que imaginam ser o papel da polícia acabar com o crime. Entende-se, portanto, que se a polícia auxiliasse na redução drástica dos roubos diários nas grandes metrópoles, e hoje, também nas pequenas cidades, ainda assim, centenas de pessoas seriam vítimas todo dia. Vítimas sempre existirão independentemente da eficiência da polícia. Menos aceitável ainda é que a violência parta de agentes públicos. Então que aconteça as investigações , puna-se os culpados tire de nosso seio pessoas desse tipo, o que não se pode é jogar na vala comum toda uma categoria de profissionais, o que deve ser o foco é a conduta dessas pessoas, e não uma classe , o que falta no nosso Brasil é apenas uma coisa, PUNIÇÃO. Independente de quem….de grana , de classe social, de profissão , porque o caos está próximo ….sou a favor da livre manifestação …que o povo vá as ruas …grite, berre , aprenda a votar….mas impedir que pessoas saiam dos bancos, como aconteceu aqui em João Pessoa, invasão do centro administrativo, bloqueios de BR que gerou um engarrafamento de 4h….caminhoneiros perderam entregas, outras perderam prova…outras perderam o bem maior a vida, porque nem as ambulâncias passavam pela barricada ,então puna-se os policiais que nem deviam ser chamados assim , quando agem fora da lei e contra sociedade….e os travestidos de cidadão de bem…tem uma parte nesse texto que diz assim:”Vejo que há uma propaganda contra a violência dos black blocs e não contra a violência dos policiais. Por que uma violência é permitida ou consentida e outra não? Será que podemos avaliar isso com cuidado? Outra questão: por que choca tanto que os vidros dos bancos sejam quebrados e não choca tanto que professores sejam espancados? Estamos em uma sociedade que valoriza mesmo mais os vidros do que as pessoas? ” ……..Esse é o problema nenhuma das violências deve ser tolerada, n existe dois lados, não se pode existir , a polícia é fruto da sociedade ….e a sociedade é que permite que a polícia e Estado existam, a sociedade saiu do “estado de natureza” e optou pelo “pacto social”…O povo ao mesmo tempo é parte ativa e passiva deste contrato, isto é, agente do processo de elaboração das leis e de cumprimento destas, compreendendo que obedecer a lei que se escreve para si mesmo seria um ato de liberdade. Se a sociedade não quer polícia que ela acabe, e voltemos a época de talião … gente o fato não é o fenômeno violência policial apenas …a violência policial é fácil ser investigada e punida…é só querer , nos sociedade sofremos violências tão mais terríveis quanto as físicas todos os dias….belo texto , boa discussão.

  10. Edgard Sanchez permalink
    30 de outubro de 2013 5:53 pm

    Eu li o texto achei tambem que é a volta do senso comum onde é fácil culpar o PM, o governo e seja la o que.
    Vamos pensar pelo lado do Policial que efetuou o disparo, 2 anos de policia (então tem um ano de escola e um ano de atividade fim). 32 anos de idade ja era um homem formado com convicções ja que viveu a maior parte da sua vida junto a sociedade como um “cidadão comum”. Não foi noticiado se era casado ou tinha filhos, mas pela a idade não seria absurdo caso tivesse.
    Ai este ser maldoso sai de casa em pleno domingo as 5:00 da manhã pra ir trabalhar.
    Durante a tarde ele vai atender uma ocorrencia de perturbação e sossego em um bairro violento, pois sim o Jardim Brasil é violento.
    Ai por motivo de suspeita o policial tenta abordar um jovem e da um disparo, onde o mata.
    Testemunhas dizem que a primeira coisa que o policial fez foi jogar o bone e a arma dentro da viatura e seu parceiro da um grito de “O que vc fez?”
    Nenhum momento em nenhum telejornal foi dito que o Policial tentou inventar uma ocorrencia dizer que o jovem disparou ou ameaçou de alguma forma. O que poderia tentar validar o seu disparo fatal.
    A sua unica defesa foi, a arma bateu na porta e disparou.
    Será que se ele tivesse este dolo de disparar pra matar o garoto, ele não teria dado outra desculpa mais convincente?
    No fim o PM esta preso, provavelmente sera expulso da policia (que é diferente de demitido) . Gastará uma fortuna em advogados que no máximo tentará reduzir a pena.

    Sei que a dor do pai e da mãe é enorme e imensurável. Porem será que o PM não esta tendo uma dor, também?
    Será que estamos esquecendo que dentro daquela farda e daquela viatura tem um cara que tem amigos, família e nos dias de folga tem uma vida igual a de muitos aqui?

  11. 30 de outubro de 2013 6:45 pm

    Tudo está ligado ao poder. A polícia com sabemos é a mesma da Ditadura e seus treinamentos são os mesmos. Os soldados são treinados por quem? Quem manda na polícia é a polícia, seja militar ou não. A civil não está na ponta de combate a criminalidade, mas a polícia militar sim. E são seus comandos que treinam estes homens mal pagos, etc. Todos sabemos que o caráter militar e seu treinamento não são feitos para combater uma chamada comum de distúrbio. Não existe solução para isso. O Estado não controla as corporações. Elas são quase que autônomas. Uma tentativa seria a unificação das polícias e o fim da PM nos Estados. Mas mexe com o poder de décadas que determinadas pessoas têm. NÃO VEJO SOLUÇÃO PARA ISSO. É desde que me lembro, e tenho 53 anos.

  12. Plínio permalink
    30 de outubro de 2013 10:39 pm

    Olá Márcia…

    Muito bom que utilize o seu blog para discussões importantes. Muitas pessoas, sobretudo, pessoas públicas-termo que acho meio equivocado- transformam blogs em pedestais, cujos fãs depositam flores ou coisas do gênero. O seu é uma espécie de Àgora. A sua postagem e alguns comentários dos colegas me fizeram pensar… Talvez o tiro tenha sido fruto de alguma imperícia do policial. Isto significaria culpa e não dolo. O problema é quando toda a administração pública se torna uma sucessão de imprudências, negligências e imperícias! Fica complicado excluir a consciência. Um caso isolado é algo que poderíamos, a contragosto, engolir, mas creio que o copo está cheio demais. No Brasil as exceções tornaram-se regra. Aliás, temos muito medo das palavras, regra, disciplina, respeito, ordem, organização. Relacionamos à cultura militar, o que fatalmente nos reporta à ditadura que vivemos. Ocorre que disciplina não é o mesmo que truculência; respeito não é sinônimo de obediência, mas herdamos esta confusão… Eu, particularmente, gosto de respeito, organização; de gente que cumpre horário, que paga as contas. Nunca tive medo da pecha de reacionário. Às vezes dependendo de quem fala é até um elogio. Talvez, para esvaziar o copo, seja preciso colocar estas coisas em prática. Por questões que não vem ao caso explicar, sou ligado a “tragédia da piedade”-não sei se conhece- Em razão deste fato evito ao máximo julgar, procuro entender, como se fosse um quebra-cabeça. Aprendi que todo evento trágico envolve uma série de fatores, seja um homicídio ou um acidente aéreo. O dolo equivale à soma das culpas. Minha conclusão é de que existem muito mais vítimas e culpados do que o cenário nos mostra. Muitos estão atuando nos bastidores- gabinetes, ministérios, plenários, urnas de votação… Enfim…
    Show o “Sartre sem a Simone”. Não concordo, mas achei o cara corajoso! “A vida é uma doença”. Não sei se a vida é uma doença. Como tenho mania de opostos, ficaria tentado a pensar na morte como alguma forma de saúde. Agora, não tenho a menor dúvida de que o Brasil está doente. Sempre que há um crime lamento por todos. Estamos todos ligados. “A tragédia de um homem é a tragédia de toda a humanidade”. Espero que este triste acontecimento sirva a algum propósito (na hipótese de Deus não ser um ditador zombeteiro, claro!). É uma metáfora para Lula?

    Torço para que o meu comentário seja enquadrado no grupo dos ressentidos. Abraço.

  13. José Ruiz permalink
    31 de outubro de 2013 7:15 pm

    Assino embaixo. Muito boa a reflexão.

  14. Vovó Filomena permalink
    31 de outubro de 2013 9:35 pm

    Estava olhando o face da Marcia, e vi que a direita raivosa conseguiu aumentar o número de frases para insultar e desconstruir o pensamento dela.. Os clichês conhecidos: Pseudo intelectual. Essa ¨Filosofa¨entre aspas, claro. Essas feministas mal C…..s . Agora tem, precisa se apaixonar e ter um filho. Esses reaças estão muito criativos, estou até pensando em parar de ler olho de vidro e ler os novos contratados da folha de Sp !

    • 3 de novembro de 2013 10:14 am

      Pois é, criemos a nova epistemologia para interpretar essas gentes: a catagoria “cuzão” tem alto significado epistemológico neste momento.

  15. 31 de outubro de 2013 11:26 pm

    É o escravismo… da impunidade, do descaso, da politicagem… q ainda reina e dessensibiliza.
    Não julgaria o motorista de caminhão: homens e máquinas são qse a mesma coisa hj em dia…

  16. Sartre sem Simone permalink
    1 de novembro de 2013 7:43 am

    Plinio, a metáfora não é para o Lula, Lula é apenas um político sem ética , guru de uma seita de fanáticos, assim como temos outro guru de direita , na VEJA se me entende !

    • Plínio permalink
      3 de novembro de 2013 12:22 pm

      Ainda bem que temos a VEJA para equilibrar a balança do guru da esquerda. Como disse, gosto de opostos. A vida tem que nos oferecer no minimo duas opções, concorda? Por isto morria de pena dos soviéticos, eles tinham apenas uma marca de papel higiênico. Isso não é vida! Mesmo um “cuzão” merece mais de uma possibilidade. Aliás, esse tem sido o maior problema do Brasil! Falta oposição! Está tudo igual. Perigosamente igual… Um abraço, Sartre!
      Plínio, um cuzão zombeteiro, sem guru.

  17. 16 de dezembro de 2013 5:46 pm

    Relaxed that you like the communication preordained to all concerned. I am also interested in all this.

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